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História real de jovem refugiada síria inspira bailado em Portugal

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A história de luta e de esperança de uma jovem refugiada síria chamada Nisreen inspirou um bailado de dança contemporânea, que estreia este mês em Lisboa e cujas receitas revertem para a Plataforma de Apoio aos Refugiados.

Natural de Damasco, capital da Síria, Nisreen viu-se obrigada a deixar o país devido à guerra. Acompanhada pelo irmão viajou até à Turquia e fez uma "perigosa travessia marítima" até chegar à ilha grega de Lesbos.

Foi no campo de refugiados de Lesbos que Nisreen conheceu, em abril do ano passado, Rita Coelho, uma médica portuguesa voluntária da PAR Linha da Frente, a quem ofereceu a sua ajuda como tradutora.

Desta relação, nasceu uma amizade que deu origem ao bailado que tem como narradora e guionista Rita Coelho.

Em declarações à agência Lusa, a médica recordou a forma como a história de Nisreen a marcou, tal como a realidade vivida naquele campo de refugiados.

Quando a guerra começou, Nisreen percebeu que "os estudos [engenharia], que eram o seu maior tesouro, estavam a ser ameaçados", mas foi quando "perdeu a casa, perdeu familiares" e a faculdade foi bombardeada que decidiu que tinha de abandonar o país, contou Rita Coelho.

A jovem partiu com o irmão de 13 anos, deixando os pais na Síria. Ficaram em Lesbos até janeiro, altura em que foram colocados na Holanda, onde permanecem.

Durante o mês que esteve em Lesbos, Rita Coelho testemunhou muitas histórias que mudaram a sua "maneira de olhar para o mundo e para a humanidade".

Depois desta experiência, sentiu "uma enorme responsabilidade de contar as histórias" que testemunhou e alertar para o drama dos refugiados.

"Agora sinto-me muito mais chamada à ação e este bailado foi uma maneira de conseguir falar sobre o assunto", adiantou.

A ideia do espetáculo surgiu de uma conversa com uma amiga que é coreógrafa e professora de dança, Carolina Themudo, que já estava a trabalhar o tema dos refugiados com as suas alunas.

"Pediu-me ajuda para tornar as coreografias mais reais e, de repente, começámos a montar um guião de bailado a partir da história muito real" da Nisreen.

O bailado conta o drama humano, mas também "uma história de esperança, uma história de luta e de vida que está por detrás das histórias" de cada um dos refugiados.

"Pretende também inquietar cada um de nós e questionar se seríamos também capazes de viver esta luta no nosso dia-a-dia", disse Rita Coelho.

Nisreen assistiu por Skype ao espetáculo e disse ter sentido que a sua história foi contada de "forma honesta", através do "coração da voluntária Rita Coelho" e de todos os que se envolveram voluntariamente no projeto.

"Foi incrível! Ela (Rita Coelho) ouviu-me com atenção e isso deixou-me muito feliz", afirmou a jovem numa declaração escrita enviada à Lusa.

Confessou que chorou durante todo o bailado, porque se lembrou "da sua vida, do que tinha" na sua terra.

"A guerra não destrói só a terra, destrói as pessoas. Dávamo-nos todos bem antes da guerra, mas a guerra veio destruir os laços entre as pessoas. Mesmo quando terminar, ficarão as nossas memórias", lamentou.

A legenda que acompanha a foto do bailado, que estreia nos dias 17 e 18 de março no auditório do Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa, foi escrita por Nisreen: "If there is a new door you have to be courageous to open it" (Se surgir uma nova porta deves ter coragem para a abrir).

A jovem deixou ainda uma mensagem: "Digam às pessoas para serem humanas connosco como vocês. Às vezes sinto que por sermos refugiados não somos nada, mas porque a Rita se lembrou de nós, sentimo-nos especiais, nós somos pessoas".

"O meu nome é Nisreen, não me chamem refugiada. Algumas pessoas tentam mudar-nos. Aceitem-nos como somos".

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