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Coreógrafa Madalena Victorino promete dançar "até ao fim da felicidade"

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A coreógrafa Madalena Victorino, distinguida hoje com o Prémio Universidade de Coimbra (UC), prometeu dançar "até ao fim da felicidade" e do amor pela arte que preenche os seus dias desde a juventude.

Na cerimónia em que recebeu o prémio, na Sala dos Capelos da UC, Madalena Victorino citou uma das mais célebres canções do compositor canadiano Leonard Cohen, falecido em novembro, aos 82 anos -- "Dance me to the end of love" ("Dança comigo até ao fim do amor") -- para proclamar a sua dedicação total à dança.

"É assim que vejo as coisas: dançar, dançar, dançar-me até ao fim de tudo. Até ao fim da felicidade e do amor que tenho pela dança, como Leonard Cohen canta na sua belíssima canção", afirmou, perante o claustro doutoral, incluindo investigadores e professores de todas as faculdades, além de convidados, trabalhadores e alunos da instituição universitária.

Neste contexto, ao agradecer a distinção, a laureada invocou ainda "a jovem coreógrafa Marlene Freitas, que, quando fala do seu trabalho, fala de uma loucura e de uma intensidade que se pesquisam por dentro" do corpo.

"E eu penso que sim, que é na irracionalidade do calor interior do corpo, quando este dança, que valerá a pena concentrar-me. Até ao último dia", sublinhou Madalena Victorino.

A coreógrafa, professora e programadora Madalena Victorino foi a vencedora do Prémio Universidade de Coimbra 2017, no valor de 25 mil euros, que recebeu hoje, durante a sessão solene comemorativa dos 727 anos da UC, fundada pelo rei D. Dinis, em 1290.

Patrocinado pelo Banco Santander-Totta e apoiado pelo Jornal de Notícias, o prémio distingue anualmente "uma personalidade de nacionalidade portuguesa que se tenha afirmado por uma intervenção particularmente relevante e inovadora nas áreas da cultura ou da ciência".

Madalena Victorino recordou o trabalho que desenvolveu em diferentes momentos em Coimbra, colaborando com diferentes pessoas e entidades, como as companhias de teatro Escola da Noite e Teatrão, o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), que em 2016 celebrou 50 anos, e repúblicas de estudantes.

"Nesta cidade, tive a oportunidade de trabalhar muitas vezes. Fui sempre muito bem recebida e muito feliz. Aprendi sempre imenso em todas as colaborações", disse.

A coreógrafa destacou, entre outros trabalhos a nível local, a sua participação no projeto "Percursos", para a Coimbra Capital da Cultura, em 2003, dirigida por Abílio Hernandez.

Este professor da Faculdade de Letras da UC "de imediato entendeu que este projeto poderia inserir-se nos propósitos por si traçados para esta iniciativa de dimensão local, nacional e internacional".

Madalena Victorino proferiu uma conferência intitulada "As danças dos dias - Diário de um percurso de trabalho sobre o corpo comum, a sua imaginação e a sua luz".

Na sessão comemorativa dos 727 anos da Universidade, intervieram ainda o professor Ernesto Costa, em representação do conselho geral da instituição, Rita Marnoto, docente da Faculdade de Letras a quem coube apresentar Madalena Victorino, e o reitor João Gabriel Silva.

O programa incluiu a entrega de cartas doutorais a 34 novos doutores da UC e a uma homenagem aos aposentados e jubilados da Universidade de Coimbra.

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