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Bruno Cochat e Companhia Nacional de Bailado: a polémica continua

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Após ter visto a Companhia Nacional de Bailado rescindir o seu contrato, e de ter feito uma publicação polémica nas redes sociais, Bruno Cochat falou com o GPS. O coreógrafo diz não compreender a decisão da Companhia e sente-se revoltado com o cancelamento do espetáculo 1HD.

A rescisão de contrato com Bruno Cochat, agora ex-coordenador dos Estúdios Victor Cordon, continua a fazer correr muita tinta na imprensa e a gerar polémica nas redes sociais. Esta quarta-feira, 1 de Março, a petição dirigida ao Ministério da Cultura para a reposição de uma criação dele, o 1 HD - Uma História da Dança, atingiu as 300 assinaturas. O GPS falou com o coreógrafo, que afirma não ter recebido qualquer justificação por parte da Companhia Nacional de Bailado (CNB) e não compreende o que poderá ter levado a esta decisão.

"Não lhe sei responder" sobre o que levou a Companhia a rescindir o contrato de três anos ao fim de seis meses. "Não fui eu que mudei. Eu já lá estava. O que mudou foi a direção artística da Companhia Nacional de Bailado", afirmou.

O Organismo de Produção Artística (OPART), que gere o Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC) e a CNB, justificou, em comunicado, a mudança de coordenação com "a necessidade de imprimir um novo impulso programático e uma maior dinâmica a este projeto, após um período de avaliação realizado com os diretores artísticos do TNSC [Patrick Dickie] e da CNB [Paulo Ribeiro]".

No entanto, para Bruno Cochat esta "não é uma justificação, é dizer qualquer coisa". "O que o OPART fez foi lançar um comunicado que diz de uma forma leviana que o projeto precisava de um novo impulso. Eu já lá estava há seis meses, por isso o meu impulso já devia estar velho", ironizou o coreógrafo. "Fui convidado para assumir um projeto com escolas, que envolvia miúdos de 14 anos, durante, pelo menos, três anos. Era o que dizia no meu contrato, sem qualquer período de avaliação", acrescentou ainda.

Na longa publicação que fez na sua página pessoal de Facebook sobre o assunto, o coreógrafo faz várias acusações à atual direção artística do CNB, nomeadamente sobre uma eventual "perseguição, além de má conduta profissional e mau uso de dinheiros públicos". Ao GPS, o ex-coordenador revela que tudo isto começou após a mudança de direção, que viria a ser ocupada por Paulo Ribeiro em Novembro de 2016. "As provas [das minhas acusações] estão entregues a quem de direito. Não quero estar a publicar ou a partilhar exemplos, ainda", afirmou.

Questionado sobre se são críticas diretas a Paulo Ribeiro, Bruno Cochat frisa apenas que "os nomes são públicos", reforçando que em relação à anterior direção, liderada por Luísa Taveira - atualmente no conselho de administração da Fundação Centro Cultural de Belém - nada tem a dizer.

Companhia cancelou espetáculo 1HD
Ainda nas redes sociais, Cochat escreveu na publicação - que contabiliza já mais de 100 partilhas e centenas de comentários - que desconhece as "razões técnicas" que levaram ao cancelamento do seu espetáculo 1HD Uma História da Dança. "O espetáculo é ipsis verbis aquilo que foi apresentado e aprovado pela anterior direcção artística, técnica e de produção. Não falhou orçamentos, não ultrapassou meios técnicos e não foi, antes da estreia, dito rigorosamente nada. Terá de haver, portanto, uma outra razão muito forte para cancelarem o espectáculo e desta forma", argumentou o coreógrafo, acrescentando que "uma coisa destas não se faz". "As pessoas têm que perceber que o ser humano também é capaz destas coisas e as crianças também têm de saber isso. Mas eu preferia que não tivesse sido agora e desta forma", revelou ainda o coreógrafo.

No Facebook, que tem sido um dos palcos desta polémica, foi publicada uma carta das dez crianças que estariam a trabalhar com Bruno Cochat no espetáculo. Os alunos da escola Voz do Operário revelaram ao director da CNB aquilo que sentiram quando foram informados de que, afinal, já não existiria peça.

"Ficamos magoados com a sua decisão, foi injusto para toda a gente. Trabalhamos todas as terças-feiras desde Setembro de 2016, até o nosso sonho acabar. Quando nos deram a notícia, uns ficaram sem palavras, outros choraram e outros enervaram-se. Perdemos uma grande oportunidade da noite para o dia, e os argumentos que nos apresentaram não foram nada claros, nem consideramos que justifiquem uma decisão tão drástica", pode ler-se no documento partilhado pela coreógrafa Sílvia Real - que também dirigiu uma carta a Paulo Ribeiro em nome próprio (ver aqui).

No final da carta, os dez alunos que a assinaram afirmam não compreender a decisão e pedem mais união à Companhia. "Pensamos que se este é um projeto que envolve várias pessoas, se há algo que corre mal, todos devem unir esforços e tentar fazer melhor… encontrar soluções! É o que fazemos na nossa escola com os trabalhos de projeto, quando saímos em visitas de estudo, quando há uma briga no recreio! Não é justo uma só pessoa decidir por todos. Todos temos opinião. E todos devem ter oportunidades", frisaram.

Após o cancelamento do espetáculo, as crianças que iriam protagonizar a peça, juntamente com os seus pais e o coreógrafo Bruno Cochat, protestaram à porta do Teatro Camões, em Lisboa, com cartazes a exigir a reposição do espetáculo e a entoar a canção Acordai, de Fernando Lopes Graça.

Em entrevista ao GPS, Cochat assume que a decisão de cancelar a peça traduz-se no "trabalho de um ano a andar para trás", ressalvando que este tipo de espetáculos são necessários em Portugal. "Não há espetáculos de dança para crianças e a direção artística anterior fez esta aposta, porque as companhias que existem não fazem este trabalho. Estávamos a conseguir mobilizar muitas famílias e escolas para ir ver esta peça e, de repente, o trabalho de anos anda para trás. Não só da minha parte. De todas as pessoas que criam espetáculos para crianças e que fizeram parte da história da Companhia Nacional de Bailado", concluiu.

Petição contabiliza 300 assinaturas
"Em apoio a Bruno Cochat e pela reposição do espectáculo 1HD - Uma História da Dança" é o nome da petição que chegou esta quarta-feira às 300 assinaturas. Num texto dirigido ao Ministério da Cultura, a petição faz uma denúncia pública sobre a decisão da Companhia Nacional de Bailado e lamenta o cancelamento "por decisão sumária, sem discussão prévia, as futuras apresentações da peça 1HD".

"A Educação e a Cultura são investimentos a longo prazo, e por isso a mudança de direcção de uma instituição pública como a Companhia Nacional de Bailado tem o dever de não só honrar os compromissos assumidos pela anterior direção, como promover uma transição harmoniosa entre as iniciativas da anterior e da nova, sem quebrar essa frágil continuidade tão essencial à construção do tecido cultural e educativo", começa por referir o texto da petição.

O autor do documento esclarece que o movimento reprova a decisão da Companhia, reforçando o investimento com "dinheiro público" na peça dirigida por Bruno Cochat. "Uma instituição pública com as responsabilidades da CNB não pode proceder a este tipo de despedimentos arbitrários. (...)". Para lá do investimento humano e artístico que essa peça representa, houve um investimento financeiro de 68 mil euros, dinheiro público, tal como públicos são os gastos que a CNB terá com esta demissão sem justa causa. O cancelamento da peça inviabilizou a recuperação de parte do investimento através de receitas de bilheteira quando a lotação de várias das sessões agendadas já se encontravam esgotadas", pode ler-se no documento.

Por fim, o texto da petição assinala o constrangimento criado com as crianças envolvidas no 1HD: "A anterior diretora dirigiu-se pessoalmente às crianças envolvidas e assumiu com elas um compromisso, que foi retribuído pelas crianças com alegria e dedicação. A quebra de compromisso da atual direção não lhes foi comunicada e teve de ser transmitida pelo próprio Bruno Cochat, sem que a direção tivesse a coragem de as olhar nos olhos".

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