Index Labels

Victor Hugo Pontes transforma bailarinos em animais

. . Sem comentários:
Victor Hugo Pontes respondeu ao desafio da Companhia Nacional de Bailado para criar um espetáculo a partir de O Carnaval dos Animais. O resultado tem elenco numeroso e música de 12 compositores portugueses em estreia absoluta.

A primeira medida de Victor Hugo Pontes - em resposta à diretora da Companhia Nacional de Bailado, Luísa Taveira, que lhe sugeriu abordar O Carnaval dos Animais, a obra mais famosa de Camille Saint-Säens - foi abolir metade do título. "Os animais estão lá, tanto na fisicalidade como nos figurinos, mas o espetáculo vai mais além. Não é um desfile de bichos. Tem uma vertente de fantasia, que depois é distorcida", explicou o autor ao GPS.

Não é por acaso, aliás, que o cenário - de F. Ribeiro, mas de acordo com a dramaturgia de Victor, que se formou em pintura ao mesmo tempo que estudou teatro e dança - "é uma feira popular abandonada, que também pode ser vista como uma montanha isolada ou uma ilha, onde o carrossel se confunde com um poço da morte".

Ou será ao contrário? Afinal, "depois do Carnaval vem sempre a quaresma", que culmina com a morte de Cristo e, se é verdade que Victor dá pistas ao público para interpretar as suas peças, não é menos verdade que aprecia espaços em branco: "Tenho aversão a narrativas lineares. Gosto de deixar coisas por explicar, para que o público seja ativo e faça a sua reflexão, a partir da minha lógica."

Esta lógica do encenador e coreógrafo de Guimarães, que se tornou mais conhecido depois de criar A Ballet Story para a Capital Europeia da Cultura, incide numa viagem, que decorre sonhadora, com os bailarinos disfarçados de bichos, embora muitas vezes a assumir a fisicalidade de outros: os cangurus, porque saltam, tornam-se sapos, por exemplo. "É um autêntico Carnaval, uma hipérbole da natureza. Não procuro a verdade", explica o autor.

O clima sonhador muda quando a partitura se aproxima do capítulo a que Saint- -Säens chamou Pianistas. "Aí há uma viragem, uma desconstrução do Carnaval, que avança para uma ficção mais negra, em que nos viramos para o passado."

É aí que entram os dinossauros, os fósseis e até Cérbero, guardião dos mortos segundo a mitologia, que abre caminho para a morte do Cisne, perto do grande final, com o palco cheio: "Não é costume ver-se nem 20 bailarinos em produções atuais, quanto mais 37, como é o caso." Para trás ficam as galinhas, porcos e pinguins, mas também o centauro, o fauno e as sereias.

Para "colar" todas as cenas, Victor decidiu pedir música original a compositores portugueses contemporâneos e idealizou capítulos novos para entremear a partitura de Saint-Säens, "que só tem 24 minutos, o que é manifestamente pouco para um espetáculo inteiro".

Depois deu o guião, ainda em forma de lista, a Cesário Costa, o maestro que irá conduzir a execução da obra, à frente dos 29 instrumentistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa - primeiro em Lisboa, no Teatro Camões, de 16 a 26 de Junho, e a seguir no Porto, no Rivoli, a 1 e 2 de Julho.

"Ele é que escolheu o compositor ideal para cada tema, segundo o seu estilo e sensibilidade. Depois lançou os desafios", realça Victor, que também definiu as regras: o tema a compor não poderia exceder os 5 minutos e tinha de ligar o final de um tema de Saint- -Säens ao início do seguinte.

A António Pinho Vargas, por exemplo, calhou a Fénix, o mito alado que renasce das cinzas, e vem a seguir aos Pássaros e antes dos Pianistas - e assim por diante, para Sérgio Azevedo, Carlos Caires, Eurico Carrapatoso, Andreia Pinto Correia, Nuno Corte- -Real, Pedro Faria Gomes, Mário Laginha, João Madureira, Carlos Marecos, Daniel Schvetz e Luís Tinoco. Ao todo, são mais 100 minutos de música, em que 80 serão tocados em público pela primeira vez.

Fonte

Sem comentários:

Enviar um comentário

Queres publicar as tuas notícias no IDS? Tens alguma sugestão para nós? Envia para indancingshoes@edance.pt

Publicidade

Contribui para o IDS

Andam a dançar por aqui

SEGUE O IDS

PUBLICIDADE