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A Dança é Para Todos

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Existe um projeto no mundo que quer concretizar um sonho simples: certificar jovens bailarinos com deficiência intelectual pela UNESCO.

Esse projeto está inserido no Centro de Actividades Ocupacionais da APPACDM de Lisboa (Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) e conta com o apoio da Fundação EDP e da EDAK (Escola de Dança Ana Köhler). Chama-se Twofeet, tem uma conta de Instagram extraordinária e vai culminar num grande espectáculo, com data e local a anunciar.

Mas vamos colocar isto mais fácil para vocês, leitores:

Todas as terças e quintas-feiras, 16 jovens da APPACDM com Trissomia 21 e outros tipos de deficiências intelectuais reúnem-se com a professora Ana Kohler, parceira deste projecto, para darem vida a uma nova paixão: a dança. É também pela Ana, bailarina profissional, que os diplomas tão esperados poderão surgir, uma vez que a sua escola é membro e entidade certificadora em dança, do Comité Internacional de Dança da UNESCO.

“Estes jovens não constituem nenhum desafio no sentido que são seres humanos… Não constituem nenhum problema nem um trabalho-extra. Tem sido um prazer trabalhar com eles e envolver-me com este grupo. A pureza de sentimento destes seres é maior do que muitos com quem nos cruzamos no quotidiano…”, explicou a bailarina e professora Ana Kohler.

Uma outra professora, que também pertence à escola, a Ana Luísa Bacalhau, concentra-se mais no apoio à parte contemporânea. Por fim, por parte da APPACDM, está a Taísia, Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação que já acompanha estes jovens há vários anos através de um grupo de dança que tinha como objectivo primordial o desenvolvimento cognitivo e do movimento.

“Quando o projecto foi para a frente nunca pensei que os jovens aguentassem. Foi duro ao início. Muito duro. Duas horas em pé sem comer, sem casa-de-banho e sem poder reclamar de dores e cansaço é difícil para qualquer um. Exigiu muita disciplina e a típica frase ‘em pé, postura’ acabou por se tornar um hábito… Hoje são brilhantes”, confessa Taísia num tom orgulhoso. ”Acredito que os pais não tenham ainda a noção certa do empenho dos seus filhos. Vão ter uma grande surpresa.”

Na semana em que os fui visitar, esperei alguma vergonha, própria de quem está nervoso para o grande espetáculo final. Mas o resultado foi só um: uma boa dose de diversão e concentração. A dança clássica mistura-se com a contemporânea, há lugar para solos e muita imaginação.

“A parte má é que temos de fazer dieta. Não podemos tirar as sapatilhas nem podemos mexer no cabelo mas sabemos que a dança faz bem ao corpo”, explica uma das alunas da Instituição. Já do outro lado da sala ouvem-se opiniões diversas: “Aprendemos a respeitar”, “às vezes é difícil porque não podemos faltar. Se faltarmos muito perdemos o diploma de bailarinos…”

A Fundação EDP contribuiu com as melhorias na sala de ginásio onde os alunos ensaiam, como um ar condicionado novo, barras de ballet, cortinas black out e o linóleo no chão.

Em termos práticos, as horas necessárias para obtenção do diploma não são explícitas mas tudo depende da frequência com que os alunos vão às aulas e da sua avaliação final.

Do fundo do coração, espero que o sonho se concretize. Presenciei momentos e gestos que não foram de todo ensinados. A dança revelou-se algo intrínseco e inato nestes jovens. Já do lado de Ana Kohler, as palavras surgem ainda mais fortes e com sentimento:

“Confesso que nunca criei nenhuma expectativa sobre eles porque no fundo o mais importante é a experiência positiva que retiram deste projecto. O truque é não olhar para a limitação mas sim para a capacidade. Mas acredito que no espetáculo final vão espantar muita gente. Vão fazer algo bonito com dignidade e elegância. Estou ansiosa para o que aí vem: figurinos, sapatos, penteados… vai ser lindo! Temos de nos preparar para os nervos de palco porque vai ser um desafio para todos nós.

Vai haver muitas borboletas na barriga…”

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