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Dança Contemporânea no Cartaxo

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No dia 28 de fevereiro, a partir das 21:30, Francisco Camacho, um dos nomes maiores da dança nacional, vai estar no Cartaxo para apresentar duas peças – Nossa Senhora das Flores e Rei no Exílio – Remake –, marcos da dança contemporânea portuguesa e europeia.

Estreado em 1993, “Nossa Senhora das Flores” mantém ainda hoje intactas todas as qualidades que fizeram deste espetáculo uma das obras de referência da Dança Contemporânea Portuguesa. Marco da dança contemporânea portuguesa e europeia, inspirado no título da obra de Jean Genet ( mas apenas no título), apresenta-se anos depois da sua criação e após um percurso com mais de quarenta apresentações na Europa e América do Sul.

Como escreveu o dramaturgo e curador André Lepecki, NOSSA SENHORA DAS FLORES é uma coreografia de convulsão, de obsessão, de falha de sistemas fisiológicos, do corpo em colapso, de dança num absoluto prazer sensual no que supõe a sua invocação de espíritos, de ironia, de humor, de sensualidade e obscenidade.

Neste solo Francisco Camacho apresenta-nos um corpo em movimento que “fragmenta o que supostamente estava unido, revelando heterogeneidade do que supúnhamos ser consistente” (Foucault). Para Camacho, o corpo em palco surge como um sistema nervoso abalado por um passado fragmentado e violento, que não está nem morto nem longe no tempo. Um passado inscrito nos nossos corpos que tenta sobreviver aos seus próprios absurdos e contradições. Em “Nossa Senhora das Flores” Camacho revela-nos a história do corpo em dor e prazer.

O Rei no Exílio – Remake é uma peça baseada no último Rei de Portugal, D. Manuel II, que se exilou em Inglaterra em 1910. Uma peça que opera sobre a nossa memória e figuras iconográficas, num processo de desconstrução e reconstrução, onde Francisco Camacho expõe um corpo presente que tenta sobreviver a si próprio e uma personagem que é o resultado da justaposição do próprio coreógrafo com Dom Manuel II. A peça desenvolve-se numa linha de tensão de identidades ambíguas e de uma personagem obsessiva, rodeada dos seus vícios triviais, encerrada na sua existência e perdida no vazio dos seus segredos.
É um retrato dum certo Portugal, por vezes irónico, por vezes controverso, onde a solidão e o isolamento são permanentes.


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