Index Labels

Cabo Verde "não está preparado" para abraçar dança como arte

. . Sem comentários:

O coreógrafo cabo-verdiano Kwenda Lima considerou que Cabo Verde, país de dançarinos e de músicos, ainda não conseguiu abraçar a dança como arte e que os que dançam só são valorizados quando ganham notoriedade lá fora.

Em declarações à agência Lusa, o coreógrafo, residente em Portugal há 18 anos, metade dos que tem, mostrou-se desapontado por não conseguir levar o sonho de uma academia de dança para Cabo Verde.

Na Cidade da Praia, onde apresentou o espetáculo "Muloma", de sua autoria e com um grupo de seis bailarinas portuguesas, Kwenda Lima, natural de Santa Maria, na ilha do Sal, disse à Lusa que continua a preferir "semear fora de Cabo Verde" para que, um dia, possa regressar, de vez, já com o devido reconhecimento.

"Cabo Verde não está preparado e ainda não conseguiu abraçar a dança. Prefiro semear lá fora. Cabo Verde tem uma coisa interessante: valoriza os artistas apenas quando são valorizados lá fora. O que estou a fazer é formar-me lá fora, ganhar experiencia para, depois, ser reconhecido e aceite na minha própria casa", sublinhou.

"Acho que toda a gente que trabalha fora do país tem um sonho de regressar e trazer sempre um projeto. Além do sonho que estou a realizar, de trazer um projeto pela primeira vez, acho que Cabo Verde tem mudado bastante na ligação das pessoas, na forma como se ligam umas com as outras. Espero conseguir, com este projeto de dança, inspirar as pessoas e não as deixar perder essa essência que sempre tivemos", justificou.

E a essência, mas do espetáculo, de cariz marcadamente africano, é essa mesma: o aproximar das pessoas através das mãos, dos abraços, dos cumprimentos, tendência que, defendeu, "está a perder-se" no arquipélago crioulo.

"Um dos meus sonhos é ter aqui uma escola. As minhas raízes gostavam muito que fosse em Cabo Verde, mas depende de muitas coisas. É preciso ter ajudas, pessoas que confiem, acreditem e que possam realmente investir, porque sozinho, sinceramente, não consigo. Tenho de lutar mais anos lá fora para o conseguir", acrescentou.

Daí o único espetáculo em terras crioulas, pois todas as bailarinas, algumas do Centro Cultural da Malaposta, onde o espetáculo será reposto a 16 e 17 de julho, são amadoras e têm de trabalhar em áreas diferentes, pelo que as férias são curtas.

Sobre o espetáculo "Muloma", Kwenda Lima, filho de Jorge Lima, um dos músicos que integrou os míticos "Tubarões", disse tratar-se de uma "união" de seis bailarinas e dele próprio numa peça que fala da "mãe terra" e que leva a energia feminina para o palco.

"Escolhi seis mulheres porque acho que a mulher tem a força para representar a «mãe terra». É a mulher que a representa, elas é que são as mães, que nos educam e que nos passam tudo da nossa cultura. Tudo aquilo que temos hoje, que somos hoje, foi passado por uma mulher", observou.

Kwenda Lima, que levou a Cabo Verde as bailarinas Rafaela Gomes, Marta Portugal, Sofia Jorge, Andrea Coelho, Alexandra Abelha, Gabriela Ferreira, é professor de dança e já ministrou 'workshops' em países como Portugal, Bélgica, Espanha, Lituânia, Polónia, Sérvia, Suécia, Estados Unidos e Egito.

Fonte




Sem comentários:

Enviar um comentário

Queres publicar as tuas notícias no IDS? Tens alguma sugestão para nós? Envia para indancingshoes@edance.pt

Publicidade

Contribui para o IDS

Andam a dançar por aqui

SEGUE O IDS

PUBLICIDADE