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À Conversa com...João Fernandes "MetaDança - festival de artes perfomativas"

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O MetaDança - festival de artes perfomativas, é um projeto cultural que surgiu em abril de 2012, em Leiria. Na sua terceira edição, conta com a organização em co-produção da Metamorfose - Hábitos em Mutação Associação Cultural e do Município de Leiria, sendo João Fernandes o atual programador.

Podem consultar a programção AQUI

O que é o Metadança?
MetaDança – Festival de Artes Performativas é um projeto cultural que surgiu através da comemoração do Dia Mundial da Dança, em abril de 2012.
Pretende, por um lado, assinalar a efeméride em Leiria, com a realização de um evento multidisciplinar e abrangente que envolve toda a comunidade, oferecendo uma semana de contacto com as diferentes manifestações artísticas na área da dança/performance e da íntima relação que estabelece com outras áreas, e, por outro lado, a inserção e conhecimento dos futuros artistas formados ou em formação dos cursos de dança (profissionais ou do ensino superior) no mercado profissional, criando espaços de apresentação para criações coreográficas e/ou interpretação dos mesmos.
Propõe-se assim, através de espetáculos, conferências, mostras e outras atividades, chegar ao público essencialmente através das novas conceções contemporâneas sejam elas em espaços convencionais - teatros e salas de espetáculo, ou espaços públicos – museus e património.
A essência do festival culmina nesta utilização do espaço público e do património e da relação estabelecida através de fatos históricos e culturais dos mesmos, promovendo a democratização da cultura e um enriquecimento do público, com a versatilidade da arte performativa.


Quais os principais objetivos e valores que o Metadança pretende transmitir?
* Facultar à comunidade local e externa uma semana de contacto com diferentes manifestações artísticas na área da dança e em outras áreas que lhe estejam inerentes no panorama contemporâneo, na cidade de Leiria a pretexto da comemoração do mês da dança, promovendo a divulgação e o conhecimento da dança nas suas variadas formas, enquanto arte;
* Garantir a inserção em projetos performativos de alunos finalistas e formados das várias instituições de renome nacional, dinamizando a dimensão pedagógica em articulação com a dimensão artística da dança, promovendo espaços para um contacto mais direto com a interpretação de obras coreográficas e consequentemente um apoio aos jovens criadores na divulgação e apresentação dos seus trabalhos coreográficos;
* Promover e dinamizar eventos com personalidades de reconhecido mérito, experientes no mercado cultural, que validem e credibilizem a dança como expressão artística, promovendo a descentralização e a democratização da cultura, proporcionando o acesso a diferentes tipos de público;
* Utilizar diferentes espaços (convencionais e "não convencionais"), criando uma versatilidade nas apresentações e manifestações artísticas promovendo uma mutação nos hábitos do público e um olhar mais atento sobre os mesmos;
* Estabelecer parcerias e intercâmbios com diversas entidades artísticas aumentando a oferta do mercado cultural, bem como outras instituições que possam contribuir para o desenvolvimento do projecto.

 A que se deve a escolha de Leiria para albergar o festival?
Em 2012, um grupo de profissionais de várias áreas, nomeadamente Música, Dança, Educação, Banda Desenhada, Artesanato, História, entre outros, fundaram a Metamorfose, acreditando numa série de mais valias regionais, culturais e artísticas que a cidade de Leiria poderia ter.
O encontro de uma programação concertada e variada, bem como a utilização do espaço público como um espaço de utilização pela comunidade, foram os príncipios mais marcantes da sua fundação.
O MetaDança surge então em 2012, seguindo esses mesmos princípios e outros direcionados para a prática artística e e inserção de jovens artistas, no mercado profisional cultural.

Como tem sido a evolução do festival?
Tem sido um longo caminho!
Educar públicos não é uma tarefa fácil; promover a mudança tem de ser ponderado e equilibrado, no entanto os públicos têm vindo a aumentar e a educação por várias práticas artísticas em locais convencionais (teatros) e não convencionais (museus e espaços públicos) tem tido uma evolução extraordinária. Infelizmente em termos financeiros, os cortes têm sido constantes, o que muitas vezes inviabiliza a programação de mais atividades para a comunidade, no entanto tentamos sempre inovar e trazer atividades e eventos novos.


Até hoje, de todas as edições, qual o momento que nunca será esquecido e porquê?
Os momentos mais marcantes do festival estão direcionados para as performances em espaço público.
Se por um lado a 1ª edição levou vários alunos finalistas da Escola Superior de Dança (ESD) ao Moinho de Papel e ao Rio Lis, por outro levou várias escolas de dança da cidade que apresentaram as suas performances no Mercado de Sant’Ana. Foram centenas de pessoas que inundaram os equipamentos culturais.
Já na 2ª cidade, mais uma vez a ESD espalhou-se um pouco por todo o centro histórico e incorporou a Rota dos Escritores de Leiria. Mais uma vez não passaram despercebidos e fizeram parar o trânsito e encaminharam o público numa visita guiada pelo património e pela história da cidade.
Foi interessante como dezenas de fotógrafos aproveitaram aqueles momentos para captar imagens dos corpos dançantes.

O que diferencia a edição de 2014?
O MetaDança desde sempre que se intitulou como Festival de Artes Performativas, no entanto nunca foi possível englobar outras artes para além da dança.
Este ano, para além da dança, que ocupa o lugar de topo com um espetáculo de dança contemporânea no Teatro José Lúcio da Silva, cinco site specific, uma mostra de vídeo-dança, traz-nos também um concerto, quatro espetáculos infantis e um sénior de dança e teatro.
É de destacar a performance em espaço público de 12 alunos finalistas da Escola Superior de Dança – “Raiz de Corpos” – resultado da residência artística que irá decorrer no mimo museu durante uma semana, tendo como base à criação a Exposição de arte contemporânea “O corpo – biónico, movimento e imagem médica”, um projeto do Instituto Politécnico de Leiria.
Outro dos destaques é uma versão alargada do espetáculo infantil de dança e teatro “Octávio de Olhos Fixos” de Ângelo Cid Neto e Sara Chéu, que esteve em exibição no Teatro Rápido em Lisboa em Setembro de 2013 e vencedor do Campeonato Nacional Buskers (artistas de rua) integrada na PT Baixa-Chiado Bluestation.

Quais as expetativas para este ano?
"Prognósticos, só no final do jogo!”. Efetivamente é sempre uma surpresa aquilo que pode acontecer…
Se por um lado é um “risco”, levar ao MetaDança à colina do Castelo (devido à sua mítica difícil acessibilidade), por outro inundar com a dança um dos mais belos museus da tecnologia do país e da Europa e usufruir das suas mais valias performativas relacionando a dança cm a tecnologia é um dos desafios mais bem esperados do festival deste ano.
No entanto, é tudo teoria até passar à prática. Veremos e esperamos que seja pelo menos mais um momento de reflexão sobre a matéria da arte através do movimento e a sua interdisciplinaridade e transdisciplinaridade entre outras áreas.

Texto de Rita Bastos | eDANCE
Fotografias cedidas por João Fernandes

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