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Ballet Real do Cambodja - 6 de Maio - Lisboa

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REAMKER, A GLÓRIA DE RAMA | Ballet Real do Cambodja

6 de maio | 21:30

Museu do Oriente | Lisboa

Coreografia Princesa Norodom Buppha Devi

Reamker, ou A Glória de Rama, é, sem sombra de dúvida, o mais popular poema épico do Camboja. Foram os viajantes que, nos primeiros séculos da era cristã, trouxeram da Índia a epopeia do Ramayana e a contaram aos cambojanos que a adoptaram desde logo. Embora o enredo esteja muito próximo do original, o Reamker assumiu uma cor local no decurso de um longo processo de aculturação. Por outras palavras, o Ramayana é tão indano como o Reamker é cambojano.

Famoso pelos graciosos gestos manuais e pelos trajes magníficos, o Ballet Real do Camboja, intimamente ligado à corte khmer há mais de mil anos, é objecto de veneração por parte dos cambojanos. Tradicionalmente, acompanhava cerimónias reais como coroações, casamentos, funerais ou festividades kmers. Imbuída de uma função sagrada e simbólica, esta expressão artística personifica os valores tradicionais de pureza, respeito e espiritualidade. O repertório da companhia perpetua as lendas associadas às origens do povo khmer. Essa a razão pela qual os cambojanos sempre respeitaram esta tradição como símbolo da cultura khmer. No repertório clássico há quatro personagens distintas: Neang, a mulher, Neayrong, o homem, Yeak, o gigante e Sva, o macaco. Cada uma tem a sua cor, os seus trajes, maquilhagem e máscaras próprios. Os gestos e as poses, trabalhados pelos bailarinos ao longo de anos de treino intenso, evocam toda a escala de emoções humanas, do medo e da raiva ao amor e à alegria. Uma orquestra acompanha a dança, enquanto um coro feminino vai comentando o enredo, chamando a atenção para as emoções expressas pelos bailarinos, que eram considerados os mensageiros do rei enviados aos deuses e antepassados. Nos anos 70 do século XX, esta manifestação cultural esteve prestes a ser aniquilada, por questões políticas, tendo sido revitalizada em 1979.

O Ballet Real desapareceu praticamente durante o repressivo regime dos Khmers Vermelhos, que mandou executar todos os grandes bailarinos e músicos. Logo após a derrota de Pol Pot, em 1979, as companhias de dança voltaram a aparecer recuperando as coreografias do antigo repertório. O ballet recuperou o seu antigo esplendor, embora lute ainda com dificuldades que poderão relegá-lo ao estatuto de “mera atracção turística”.
Em 2003, o ballet do Camboja foi declarado pela UNESCO Obra-Prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade.

PROGRAMA :
O Ballet Real do Camboja apresenta neste espectáculo quatro excertos desta obra clássica :

1. Na floresta de Dandaka
O príncipe Preah Ream, a sua mulher Preah Neang Seda e o seu irmão preferido, Preah Leak, passeiam-se na floresta onde, por vontade própria, se exilaram. Preah Ream e Preah Leak colhem frutos e flores para oferecerem à doce e bela Preah Neang Seda. Cansados, os três decidem descansar à sombra de uma árvore quando aparece Krung Reap, roi dos gigantes e mestre do fabuloso reino de Langka, que fica para lá dos mares. O primeiro olhar que deposita sobre Preah Neang Seda, que se encontra adormecida, faz nascer nele um desejo ardente.
Porém, Krung Reap só poderá aproximar-se da princesa recorrendo a artifícios mágicos. Pede então ao seu lacaio, Maha Rom-El, que se transforme num gracioso veado de ouro de forma a seduzir Preah Neang Seda. Os saltos do veado de ouro despertam os dois príncipes e a princesa. Preah Neang Seda, seduzida pela graça do veado, pede ao marido que vá caçá-lo. Sem se deixar intimidar pela astúcia do caçador, o animal arrasta Preah Ream para um local mais recôndito da floresta.
Preah Neang Seda ouve o pedido de socorro de Preah Ream e pede ao seu jovem cunhado que vá procurá-lo. Antes, porém, de a deixar, Preah Leak desenha um círculo mágico para proteger a cunhada.
A bela princesa encontra-se então sozinha quando surge um eremita que mais não é do que Krung Reap disfarçado. Este atrai-a para fora do círculo mágico e, tirando partido da confiança da princesa, tenta seduzi-la. Indignada, a princesa repele os avanços do eremita. Furioso, Krung Reap retoma a sua verdadeira forma e leva a princesa na sua carruagem voadora.
Preah Ream e Preah Leak regressam ao local onde repousava a princesa mas constatam, atónitos, que ela desapareceu. Preah Leak sugere ao irmão que apele aos deuses a fim de obter o auxílio de Hanuman, o macaco branco, general do exército dos macacos. Confiam-lhe então o anel de Preah Ream que ele deverá entregar à princesa em sinal de esperança.

2. No palácio de Krung Reap
Na sua fortaleza de Langka, onde se encontra captiva, Preah Neang Seda lamenta a sua sorte. É então que surge Hanuman que vem trazer-lhe o anel do seu amado esposo.

3. O grande combate
Preah Ream e o imenso exército dos macacos atravessa os mares e desembarca na ilha de Langka. Krung Reap reune então um grande exército para marchar ao encontro de Preah Ream. Os dois exércitos – dos macacos e dos gigantes – defrontam-se numa batalha em que Krung Reap e Preah Leak se confrontam face a face. Vendo o poderoso Krung Reap a ponto de o virar contra o seu irmão, Preah Ream junta-se ao combate. No final, vence o inimigo graças ao exército mágico concebido pelos deuses.

4. O regresso
Tendo vencido Krung Reap e o seu exército de gigantes, Preah Ream liberta Preah Neang Seda. Acompanhados pela princesa, os dois príncipes regressam, em triunfo, ao reino de Ayodhya.

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