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Olga Roriz diz que artistas nunca tiveram grandes apoios e crise agravou situação

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A coreógrafa Olga Roriz afirmou hoje que os artistas, em Portugal, sempre foram profissionais que "nunca tiveram grandes apoios", mas com a crise a situação agravou-se, refletindo-se muito neles.

A criadora, 58 anos, uma das mais importantes da área da dança nacional, estreia na quinta-feira, no Teatro Camões, em Lisboa, uma nova peça, "Orfeu e Eurídice", encomendada pela Companhia Nacional de Bailado (CNB).

Há dois anos, quando foi distinguida com o Prémio da Latinidade, a coreógrafa tinha afirmado que punha a hipótese de ir dirigir uma companhia no Brasil, porque lhe faltavam condições de trabalho em Portugal.

Atualmente com a Companhia Olga Roriz instalada no Palácio Pancas Palha, em Lisboa, cedido pela Câmara Municipal, a coreógrafa diz que a situação "é boa, mas não é ótima".

Sobre a situação vinda a público da saída do cantor e compositor Fernando Torno, 65 anos, que decidiu emigrar para o Brasil alegando falta de oportunidades para fazer concertos e falta de apoio, Olga Roriz disse que compreendia a situação do artista.

"Acho que fez muito bem, se é isso que ele queria. Nós, artistas, nascemos para trabalhar nesta área. Se não trabalhamos, seja em Portugal, Brasil ou no Alasca, morremos", comentou.

Olga Roriz disse que poderia ter desistido de ter uma companhia de dança própria, e dedicar-se apenas a ser coreógrafa de repertório, mas quis continuar com o seu projeto.

"No entanto, apesar da minha situação ter melhorado, tudo isto é muito periclitante. Como é do domínio público, o Palácio Pancas Palha está para venda e, se for vendido, tenho 90 dias para sair", apontou.

Olga Roriz sublinhou que a situação difícil e instável dos artistas no país "não é uma coisa de agora, já vem de há muito tempo". "Os artistas nunca tiveram grandes apoios. Sempre fizeram tudo com muita dificuldade e a contar os tostões".

No seu entender, o que mudou nos últimos anos, com a crise "é que tudo à nossa volta está mal, e isso também se reflete em nós".

"Ao nível da nossa própria área, os programadores, as autarquias, os teatros, têm menos apoios financeiros e não conseguimos ter aquelas receitas que tínhamos nas digressões, para equilibrar as nossas receitas. Portanto há problemas acrescidos a nível de subsistência", disse.

Admitindo que a situação profissional e da companhia melhorou, comenta, porém, que "não é ótima".
"Não está tudo ótimo porque não posso ter os meus bailarinos a tempo inteiro. Eles trabalham uns quatro meses e depois param. Têm uma situação precária". "E isto não é vida para eles, nem para mim, porque os perco", lamentou.

Com o novo espaço, Olga Roriz conseguiu criar um curso e dar formação, continuar a desenvolver o seu método de trabalho, “passá-lo para os jovens, e formar pessoas”, que era um dos seus sonhos.

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