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À Conversa com...Eva Azevedo "É isto que eu quero fazer!"

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Eva Azevedo tem 36 anos é do Porto e a maior referência nacional quando falamos de danças africanas tribais. Licenciada em Engenharia do Ambiente, a paixão pela dança africana tradicional foi imediata, mas foi após visitar África que decidiu dedicar-se em exclusivo à dança.

Nos últimos anos, Eva especializou-se em danças tradicionais e de Burkina Faso, onde realizou três 3 estágios profissionais, sendo dois deles apoiados pela GDA- Gestão do Direitos dos Artistas.

Juntamente com Paulo das Cavernas, músico que sempre a acompanhou na sua carreira, Eva Azevedo fundou os projetos Semente e Sementinha, projetos que já alcançaram uma grande projeção, inclusive a nível internacional.

Com uma filha de 1 ano, Eva divide-se entre as aulas, os espetáculos e a filha, que a acompanha sempre que possível.

Em que consistem as danças africanas tribais?
Na antiguidade existiam rituais para diversas situações: os rituais para a agricultura, para a pesca, para pedir aos deuses para haver abundância. Estes rituais eram feitos com dança e música. Estas danças continuam a existir, especialmente nas aldeias. Em África continuaram a desenvolver este trabalho, pegaram nessas tradições e transformaram-nas em espetáculo, como eles dizem, em danças de ballet. E é essa pesquisa e esse trabalho que faço.

Quando começaste a dançar, este estilo era praticamente inexistente em Portugal. Como surgiu esse teu interesse?
Havia um grupo que se chamava Djamboonda, de música de dança africana tradicional, e eram de Tábua e quando os vi atuar na rua, adorei e disse "É isto que eu quero fazer". Conheci o Carlos Camará e o Sané da Guiné Bissau, dois grandes mestres com quem aprendi muito.
Comecei a procurar formação, não havia nada em Portugal, mas nesse mesmo ano no "Andanças" conheci um professor do Togo, o Marc, que foi o meu primeiro professor, que deu um workshop e ainda me apaixonei mais por este estilo. Trouxe-o ao Porto para dar formação e fui várias vezes a Lisboa fazer formação com ele e foi a partir daí que comecei.
Em 2005 fui a África, sentir o que era mesmo. Estive lá 2 meses, fui ao Senegal, Guiné Bissau, Guiné Conacri e foi aí que senti "É isto que eu quero". E quando regressei a Portugal deixei a Engenharia do Ambiente e dediquei-me só a isto.

As tuas aulas são acompanhadas por música ao vivo pelo Paulo das Cavernas. Até que ponto é importante?
As pessoas gostam. Os tambores têm uma magia que chama as pessoas. Eu acho que é porque mexe com o nosso tambor, o nosso coração. Essa energia toca mais as pessoas.

Qual é o público das tuas aulas?
O público é muito geral, tenho alunos desde os 13 aos 60 anos, mas principalmente jovens e estrangeiros. Tenho muitos alunos ERASMUS, que vão mudando todos os anos. Mas também tenho alunos que se mantêm à 8 anos.



Dentro das danças tribais surgem os teus dois projetos Semente e Sementinha. Fala-nos um pouco destes projetos.
O projeto Sementinha surge associado às minhas aulas, workshops e animações e espetáculos feitos com os alunos da escola.
O projeto Semente é um projeto de espetáculo que envolve música, dança, vídeo e teatro. Não é apenas de dança e música africana mas de dança e música do mundo. É uma Companhia.

Tens uma filha de 1 ano, durante a gravidez continuaste a dar aulas?
Sim. Estive a dar aulas até ao último mês, só nesse é que parei. Claro que havia limitações, não podia dançar como normalmente dança, não podia atirar-me para o chão nem saltar tanto, tive de abrandar o meu ritmo um bocadinho mas senti que até me fazia bem.

E agora? Tornou-se mais difícil conciliar a tua vida profissional com a vida familiar?
Eu tenho muita sorte porque tenho a minha mãe que pode ficar com a minha filha quando eu vou trabalhar, pois se estivesse dependente de infantários, era difícil porque estão fechados a essa hora. Nos primeiros meses é mais complicado, mas agora não, já nos habituamos aos horários uma da outra.

Normalmente estás presente em vários festivais. Como fazes nessas alturas?
Levo-a comigo. Ela este ano já esteve em vários festivais e habitua-se bem.

Quais os teus projetos futuros?
Os Semente lançaram este ano em Espanha, no Fiestizaje, um novo espetáculo "Viver o Momento", e vamos estrear em Portugal em abril, no dia mundial da dança, no Teatro de Lamego. Vamos ter outras datas em Portugal que surgirão em breve.
Esta época estou no Contagiarte (CFC), no Porto, e na Afrolatin Connection em Gaia.

Texto de Rita Bastos | eDANCE
Fotografia cedida por Eva Azevedo


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