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Francisco Camacho leva a Moçambique danças emblemáticas

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O coreógrafo e bailarino Francisco Camacho representa Portugal na maior mostra de dança contemporânea de Moçambique, a bienal Kinani, com duas obras recuperadas do início da sua carreira mas com temas ligados à atual situação social portuguesa.

"O Rei no Exílio" e "Nossa Sra. Das Flores", estreadas, respetivamente, em 1991 e 1993, são as duas peças que o coreógrafo vai apresentar na 5.ª edição do Kinani, Bienal Internacional de Dança Contemporânea, que decorre de 02 a 06 de Dezembro, em várias salas de espetáculo da capital de Moçambique.

"Penso que é uma boa representação da atualidade portuguesa: um país que não tem espaço no seu seio para acolher vozes críticas que fazem alertas, é um país mais pobre. Portanto, se não queremos empobrecer ainda mais, não podemos empobrecer a massa crítica, sejam os que escrevem na imprensa ou os artistas", disse Francisco Camacho.

Com "O Rei no Exílio", Francisco Camacho apresenta "a solo" um "remake" da peça "vagamente baseada" nos dois anos de reinado de D. Manuel II, o último rei português, uma obra que lhe "abriu portas" internacionalmente no início da sua carreira.

A peça "é sobre as questões do agir ou não agir, tomar ou não posição. Não é uma biografia do rei, porque não é um filme, é um espectáculo de dança bastante teatral, porque tem bastante texto e acções teatrais", sublinhou o coreógrafo, adiantando que, depois de Maputo, apresenta a mesma peça na cidade da Beira, no sábado.

Já em "Nossa Sra. Das Flores", o artista procura lançar uma reflexão sobre como se enfrentam "fantasmas e dilemas", através de um "personagem teatral" que se manifesta pela "dança", num registo criativo próprio do autor.

"Trabalhar a dança partindo do pressuposto teatral da criação de personagens", explicou Camacho.

Na sua 5.ª edição, a bienal Kinani, que reúne em Maputo companhias, coreógrafos e bailarinos de Moçambique, África do Sul, Senegal, Suíça, Bélgica e Portugal, lança, por via da ocupação de um edifício devoluto da capital, uma "provocação" sobre a falta de espaços de trabalho para os artistas locais.

"Os artistas, não só os da dança, mas do teatro e de todas as outras manifestações artísticas, têm falta de espaços para trabalhar. Temos espaços para mostras, mas para trabalhar é sempre um problema", garantiu  Quito Tembe, diretor do Kinani.

"É uma provocação que estamos a fazer para todos os países, especialmente os africanos, sobre a problemática [da falta de] espaços para trabalhar. No fim de tudo, só queremos ver o resultado final, mas nunca nos questionamos sobre como é que se trabalhou aquela obra", lamentou o responsável.

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