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À Conversa com...Nuno Dias "Eppur Si Muove - A revista de todas as danças"

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Nuno Dias é o diretor da única revista portuguesa de todas as danças, a Eppur Si Muove. Nascida em 2012 em formato digital, a revista passou teve já alguma edições em papel, tem uma periodicidade mensal, e pode ser consultada gratuitamente em formato digital.

Quanto e como surgiu a ideia da criação de uma revista sobre dança?
A ideia sobre a criação desta revista teve dois momentos distintos, o primeiro deu-se aos meus 16 anos quando estava a estudar Dança no Balleteatro Escola Profissional, eu era (e sou) um grande consumidor de informação das áreas pelas quais me interesso, gosto de ler e ter acesso ao conhecimento sobre as mesmas e relativamente à minha área profissional principal (a Dança) fiquei desiludido porque não encontrava nenhum meio de informação sobre todas as vertentes de dança, para que pudesse conhecer o trabalho dos diferentes profissionais, nomeadamente portugueses.
Encontrei apenas uma antiga revista de Dança (mais focada nas vertentes do clássico e do contemporâneo), mas que funcionava através de um site muito básico, com pouca informação, pouco regular, pouco dinâmica e pouco variada no que diz respeito às diferentes áreas de dança.
O segundo momento foi no início de 2012 e aqui sim a ideia ressurgiu-me com o objetivo de a tornar real. Passados 9 anos desde a primeira vez que pensei sobre a revista, nada tinha sido criado de novo, continuava tudo muito parado, então fiz umas pesquisas sobre as burocracias da criação de uma publicação, recrutei uma equipa de diferentes profissionais na área do jornalismo/fotografia/design e tomei a decisão de criar a Eppur si muove.

Qual o principal objetivo da existência da Eppur si Muove?
Tendo a certeza que dos vários objetivos da revista todos eles são importantes/principais, poderei nomear como 'o mais importante ou prioritário' a promoção das diferentes vertentes de dança e dos respetivos profissionais portugueses que nelas desenvolvem trabalho.
Era necessário mostrar ao público português quem são os nossos profissionais de Dança, o trabalho que eles desenvolvem, o sucesso que eles atingem a nível nacional e internacional e o contributo positivo que prestam para o País a nível cultural.
Era também muito importante combater a discriminação profissional entre áreas de dança, porque todas elas têm valor e todas elas têm grandes profissionais. Esta discriminação está muito presente entre as chamadas áreas artísticas (o clássico e o contemporâneo) e as restantes áreas de danças sociais, étnicas e urbanas.
E claro, pontualmente vamos abrindo espaço para a publicação de artigos sobre grandes artistas estrangeiros, que consideramos importantes nas diferentes áreas.


Após um ano de existência da revista exclusivamente em formato digital, passou a estar disponível também em formato papel. Tiveste alguma "exigência" do público para que isso acontecesse?
Sim, em parte foi por causa do público, mas foi também a concretização de um objetivo que já estava estabelecido, desde o lançamento da 1ª edição. Mas claro, as várias chamadas, emails e todo o feedback que fomos recebendo por parte do público, eram neste sentido, os portugueses ainda preferem o formato físico de uma revista em detrimento do formato digital.

Agora é possível aceder aos conteúdos da revista gratuitamente através do vosso site. Porquê esta "liberalização de conteúdos"?
Tomei a decisão (muito arriscada, mas consciente das consequências) de lançar a revista para papel com um objetivo inicialmente experimental e com a expetativa de perceber a sustentabilidade que conseguiríamos alcançar, para que esta se pudesse manter em papel por muito tempo.
Ainda que tenhamos registado um início promissor e otimista, após 5 meses de experiência fomos obrigados a suspender por tempo indeterminado a produção da revista em papel.
É uma missão muito complicada conseguir suportar os custos de uma revista em suporte de papel, porque a despesa é estratosférica, muito mais quando os milhares de euros que foram gastos/investidos foram literalmente investimento particular, ou por outras palavras, 'do meu bolso'.
Trabalhei muito no sentido de obter apoios públicos e/ou privados, procurei apoios junto de Fundações, Instituições de Apoio Empresarial e Cultural, inclusive propus a várias conhecidas Editoras, que tomassem posse da revista sem que eu fosse financeiramente compensado pela cedência dos direitos da mesma. Tentei exaustivamente todas as hipóteses possíveis e estava inclusive disposto a sacrificar qualquer compensação, para que a revista se mantivesse em papel e pudesse crescer. Não é que eu tenha ficado propriamente surpreendido, porque estamos em Portugal, mas infelizmente as respostas foram todas negativas ou nalguns casos nem resposta obtive.
Face a estas alterações forçadas, optei então por colocar a revista disponível para leitura gratuita no nosso site, porque durante o período em que a mesma estava em suporte digital e acessível apenas através da compra, senti que a adesão não correspondia ao interesse real do público, motivado certamente pela cultura do público português sobre os conteúdos da internet, não estão habituados 'a pagar' para aceder a determinados conteúdos, estão sim habituados a fazer downloads gratuitos de filmes, músicas, entre outros. Deste modo, e dando prioridade à ajuda e divulgação desta arte, tomei esta opção, embora isto tenha de certo modo causado à revista mais dificuldades financeiras pela falta de receita em vendas, estando apenas dependentes das receitas de publicidade.

Consideras que a dança na sua generalidade ganhou muito com a existência de uma publicação como a Eppur Si Muove?
Sim, estou praticamente certo que sim. Temos alguns testemunhos reais de profissionais que após serem promovidos na revista obtiveram mais oportunidades de trabalho, alguns eventos que ganharam mais projeção através da nossa promoção, em alguns casos surgiram patrocínios de empresas privadas, entre outras pequenas situações muito positivas.
Todos os meios de informação são muito importantes para esta arte, a Eppur si muove tem um registo muito próprio, procurando essencialmente promover os profissionais das diferentes áreas e pontualmente alguns temas gerais, apostando numa revista com um grafismo apelativo, boas fotografias para uma boa ilustração e acho que tem sido feito um trabalho fundamental e importante para a Dança em Portugal.

O que podemos esperar da Eppur si Muove num futuro próximo?
Vamos continuar a trabalhar para melhorar os conteúdos da Eppur si muove e todo o nosso formato de divulgação de informação. No entanto, um objetivo que está previsto, é disponibilizar as edições em inglês para que possamos expandir esta revista para outros países, de forma a potenciar os nossos profissionais junto do público estrangeiro. Já temos público de alguns países onde a língua portuguesa tem uma forte presença, tais como Brasil e Moçambique, como também de outros países onde o nosso público são essencialmente emigrantes portugueses. A internacionalização da revista seria portanto um próximo objetivo, ainda que sem data prevista para a concretização do mesmo.


Texto de Rita Bastos | eDANCE
Fotografias cedidas por Nuno Dias



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