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À Conversa com...Nuno Sabroso "A Dança é Para Todos"

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Nuno Sabroso, nasceu a 9 de março de 1985 em Lisboa. Um verdadeiro alfacinha que, apaixonado pela dança desde pequeno, atleta de dança desportiva, o ingresso na Escola Superior de Dança foi inevitável. Conciliou o curso com as aulas que já leccionava, os shows de salsa e as competições de dança de salão.

Em Portugal, Nuno trabalhou em vários locais, que foram de extrema importância para o seu desenvolvimento profissional, e, como tal, fez questão de referir: Dança e Companhia, Academia Dance In, Dancefloor, Espaço Extravaza e Full Out Dance Academy.

Esteve também na origem do Dança Sobre Rodas, onde fez par com Daniele Oliveira, bailarina de dança desportiva em cadeira de rodas, com quem participou em várias competições internacionais.

Hoje, encontra-se em Londres, ainda a definir o que pretende para o seu futuro, mas essencialmente a aproveitar cada momento que a vida lhe proporciona.

Como nasceu a tua ligação à dança?
Nascido e criado em Lisboa, cresci num bairro tipicamente Lisboeta, o bairro da Bica. Neste local, sempre se festejou os santos populares e foi assim que nasceu a minha ligação à dança. Desde os meus seis anos e até tenra idade que frequentei os chamados “bailaricos”, onde cedo me encarreguei da árdua tarefa de ser condutor sem carta. Eu dançava com todas as senhoras da vizinhança, viessem elas que eu dançava! A partir desse momento a minha mãe, meu par nas primeiras performances, pôs-se a pensar que talvez eu tivesse algum jeito para dançar e inscreveu-me na escola Alunos de Apolo em Lisboa, no ano de 1996 onde tive a minha formação inicial em Danças de Salão.

O teu percurso profissional passa pelo Dança sobre Rodas. Como surgiu esta ideia?
Como projeto de fim de curso escolhi, ou melhor escolhemos, eu, Ana Afonso e Tânia Lopes, grandes amigas e pares de dança, trabalhar com pessoas com algumas limitações físicas e psíquicas que se encontrassem em cadeiras de rodas e estivessem interessadas em aprender Danças sociais: Danças de Salão, Salsa e Ritmos Latinos.
Em conjunto com a Liga Portuguesa do Deficiente Motor e a Escola Superior de Dança conseguimos desenvolver este trabalho que foi, nada mais, nada menos, do que um cartão de visita para o “Dança sobre rodas”. Em 2010, a Daniele Oliveira, atualmente no projeto, bailarina de Dança Desportiva em cadeira de rodas, procurava par para dançar, ouviu falar de mim e do meu trabalho com pessoas em cadeiras de rodas, ligou-me e passado 6 meses tivemos a nossa primeira competição internacional juntos.

Acreditas que projetos como o Dança sobre Rodas têm como crescer e ganhar "espaço" em Portugal?
Existem em Portugal alguns projetos na área da Dança Contemporânea cujo o conceito é incluir em seus espetáculos pessoas com deficiência, a maioria tem vindo a desenvolver um excelente trabalho na inclusão. Eu sinceramente acredito mais na Arte que no crescimento, a Arte está sempre em crescimento, por isso acredito que por si só vá ganhando o seu espaço. 

O que pensas que pode/deve ser feito no sentido de existir uma maior integração de pessoas com limitações físicas na dança?
Da experiência que tenho, acredito que os acessos aos locais e as condições financeiras em que estas pessoas se encontram sejam dos fatores que mais contribuem para a exclusão. Possivelmente todo o sistema não ajuda nem facilita a integração, estas pessoas têm de estar primeiro integradas no sistema para depois se sentirem confiantes para fazer parte de tudo aquilo que quiserem, como terem direito a um trabalho, por exemplo.
O ponto de partida será dar mais autonomia a pessoas com deficiência, o que facilitará a integração no seu todo. Um conselho para as escolas de dança, acolham estas pessoas sem isso parecer um bicho-de-sete-cabeças, a Dança é para todos.

Estás por Inglaterra (Londres), podes-nos falar dos teus projetos por aí?
Digamos que talvez seja um pouco cedo para falar de projetos, nunca vivi em função disso, para já, posso dizer que vivo num país onde faz muito frio e todos os dias são diferentes porque cada dia conheço uma pessoa diferente.
Tenho dado algumas aulas de Dança de Salão, aprendido imenso com outras formas de ensino e cantado em bares de karaoke até me fartar. Tem sido uma experiência que já há muito tempo queria para mim.
Às vezes por estarmos fora da nossa zona de conforto surgem ideias novas e numa cidade como Londres, oportunidades de as pôr em prática não faltam.
Gostava muito de dançar Same Sex Dance Competition, modalidade que aqui está bastante desenvolvida e, porque não experimentar e implementar a modalidade depois por terras Lusas?
A seu tempo os projetos surgirão, alguns passos estão a ser dados e para à frente é o caminho!

Num futuro próximo podemos encontrar-te onde? Em que projetos?

Gostava muito de evoluir como professor e performer, absorver o máximo desta experiência de viver noutro pais com outra cultura e aprender a ser cada vez mais particular e igual a mim mesmo, isso é o principal. Quero também desenvolver o meu lado de cantor fora do chuveiro, fui diretor artístico dum espetáculo que esteve em cena durante cerca de um ano em diferentes espaços culturais e zonas do país, chamado “Cabaret Ambulante”, onde cantava, dançava e punha as minhas ideias em cena. Este será um projeto a pegar novamente, pois trabalhei com excelentes profissionais e aprendi imenso. 
No futuro não sei onde vou estar, quem me quiser encontrar pode contactar-me pelo para nunosabroso@hotmail.com.


Texto de Rita Bastos | eDANCE
Fotografias cedidas por Nuno Sabroso




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