Index Labels

À Conversa com...Max Oliveira "Quero contribuir mais para a arte"

. . Sem comentários:
Max Oliveira é talvez o nome mais sonante no panorama das danças urbanas em Portugal. Tem 34 anos, nasceu no Porto e foi também no Porto que começou a dançar, por volta dos 8 anos, numa escola de Ballet e Contemporâneo perto de casa. Com o passar do tempo abandonou a dança e dedicou-se às artes marciais e desportos de combate, até que, aos 18 anos, descobriu o bboying e teve certeza de que essa seria a sua vida. Enfrentou preconceitos, lutou e destacou-se. 

Hoje, é proprietário de uma escola de dança, o Momentum Dance Studio, produtor de espetáculos de danças urbanas, organizador do maior evento de hiphop português, a Eurobattle, e professor universitário na Escola Superior de Dança.

Max levou as danças urbanas a um nível superior e nós fomos conhecer melhor o seu percurso.

Começaste a dançar bboying numa época em que o estilo era praticamente desconhecido em Portugal. Enfrentaste algum tipo de descriminação?
Eu vivi numa altura em que éramos quase um grupo secreto na sociedade, éramos poucos, muito poucos mesmo. As batalhas eram eventos não acessíveis. Hoje em dia são acessíveis e comercializadas. Era um estilo muito descriminado, agora já não é, até fica bem, dizer que é bboy, que dança. Neste momento sou aceite como figura pública sendo bboy, coisa que nessa época era impensável. As pessoas julgavam o bboying como um mero hobbie, uma brincadeira e não como uma profissão e um modo de vida.

A Eurobattle é um dos maiores eventos a nível mundial, criado por ti. O que te fez iniciar esta competição?
A Eurobattle surge na sequência da minha ida aos EUA em 2004 à Bboy Summit. Inspirei-me e quis trazer para Portugal algo inspirado nisso. Detesto copiar, o meus estilo de bboying é muito próprio, as coisas que produzo são muito próprias, e a Eurobattle é também um evento muito próprio. Foi na perspetiva de trazer para perto de casa aquilo que via lá fora que criei a Eurobattle.

Desde a primeira edição, em 2005, até à última já esta ano, quais as diferenças?
É uma diferença abismal. Cresceu, neste momento, a Eurobattle é assumidamente um dos maiores eventos do planeta. Quem esteve nos maiores eventos do mundo sabe perfeitamente que o Eurobattle ultrapassa quase todos em quase tudo. Tem muita gente, tem muitos patrocínios, é uma produção enorme.

O PortVcale foi como levar a rua para o palco de um Casino e as criticas foram bastante positivas. Como vês esta aceitação do público? Sentes-te realizado?
Sinto-me muito bem, mas não muito realizado ainda, no dia em que me sentir completamente realizado com alguma coisa mais vale parar.  O PortVcale tem muito que evoluir e crescer. Vai sair em novembro o PortVcale II, com novos quadros, com influências da cultura madeirense, algarvia, cultura da praia, etc. As criticas positivas fazem-me ter vontade de fazer cada vez mais e as negativas fazem-me querer melhorar.
Quanto à dança da rua ir parar ao Casino, já não era sem tempo. Não sou pioneiro nisso, sou pioneiro em Portugal. E esta é mais uma saída profissional para a dança urbana em Portugal.

Competição e espetáculo de palco são trabalhos completamente diferentes, como conciliar estes dois tipos de trabalho numa crew?
Nós bboys Momentum Crew temos duas vertentes assumidas vertente artística e competitiva.
Gostamos de tocar todos os pontos, porque acima de tudo gostamos tanto do qua fazemos e queremos conseguir  viver disto, cremos que esta é a melhor opção. Dá muito mais trabalho.
Enquanto bboys competidores treinamos com o objetivo de competição, trabalhamos a competição, as estratégias, a forma de batalhar, a forma de estar, a magia, tudo, as sequências, etc.
Enquanto artista, muitas vezes é-nos pedido tudo menos aquilo que é a essência do bboy. Muitas vezes é-nos pedido uma expressão quase oposta àquilo que o nosso movimento reflete. A arte é uma coisa tão abrangente, tão transversal, tão capaz de quebrar regras.
Como bboy de competição sabemos que temos de estar dentro daquilo que é o bboying por muito livre que seja a capacidade de expressão, enquanto que a arte é preciso trabalhar a expressão, o saber estar em palco, as contagens, o domínio do terreno de palco , o contacto com o público de uma forma expressiva.

A tua vida roda entre ensino, competição e palco. Se tivesses de optar por uma das três, qual escolherias?
Esta é talvez a pergunta mais difícil que já me fizeram. Se pudesse era as três, porque adoro as três. Esta é a resposta utópica, maravilhosa e feliz.
Agora a realidade, quando comecei imaginava-me numa perspetiva de ensino. Quando comecei a ter sucesso e a perceber que eu e os Momentum Crew éramos bem-vindos a nível mundial, comecei a imaginar uma carreira competitiva. Hoje em dia, talvez devido ao fator idade que começa a pesar, a vertente espetáculo assume uma função primordial.
As três sempre estiveram presentes na minha vida, mas consoante as fases da vida, uma destaca-se mais que as outras. Neste momento faço palco, produzo palco, mas continuo a competir e a lecionar. As coisas só vão tendo cargas horárias e prioridades diferentes.

Como te imaginas daqui a 10/15 anos a nível profissional?
Há uns anos atrás respondia a essa pergunta sem pensar, agora, aos 34 anos não. Já me aconteceram coisas na vida que me fizeram mudar completamente.
Eu não sei bem...eu tenho um objetivo, que é continuar a ter uma vida o mais feliz possível e transformar-me num melhor ser humano e no melhor artista possível.

Espero que daqui a 10/15 anos as pessoas reconheçam isso, ou pelo menos que reconheçam o meu trabalho e que consigam olhar para mim como alguém que contribui para a arte.

Texto e Fotografia de Rita Bastos | eDANCE

Sem comentários:

Enviar um comentário

Queres publicar as tuas notícias no IDS? Tens alguma sugestão para nós? Envia para indancingshoes@edance.pt

Publicidade

Contribui para o IDS

Andam a dançar por aqui

SEGUE O IDS

PUBLICIDADE