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Victor Hugo Pontes transforma palco numa savana

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Victor Hugo Pontes regressa ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, no próximo dia 2 de Novembro, para apresentar Zoo, a sua mais recente criação na área da dança contemporânea.

Depois de "Ballet Story" e "Ocidente", Victor Hugo Pontes revela inequivocamente que é um criador para quem as artes plásticas, o cinema, o teatro e a dança se assumem enquanto territórios de transferência.

Em Zoo, Victor Hugo Pontes parte de Why Look at Animals?, texto originalmente publicado pelo ensaísta britânico John Berger em About Looking (1980), onde reflete sobre a relação ancestral entre animais e humanos, esse companheirismo inominável em regime de mutação nas sociedades contemporâneas, uma vez que as criaturas enjauladas em jardins zoológicos acabam por se tornar monumentos vivos ao seu próprio desaparecimento cultural.

O cenário: uma savana. Monocromática e absolutamente artificial. Sete bailarinos em cena, sete animais de palco. O jogo de identificar que animais são imitados parece inevitável, desde logo porque a dimensão lúdica do zoo é replicada, e então, em vez de procurarmos os animais que fomos observar, tentamos identificar animais que conhecemos.

O coreógrafo refere-se aos jardins zoológicos como um lugar de anulação – um lugar de cegueira. "São muito importantes na peça os momentos de paragem, em que eles se observam uns aos outros e observam o público. Nos zoos às vezes também conseguimos que o olhar dos animais enjaulados se cruze com o nosso. Mas eles estão tão anulados que temos de bater nos vidros ou de fazer muito barulho para que reajam. São animais sem instintos. Não têm de agir, só têm de estar. Isso levantou-me imensas questões enquanto estava a fazer a peça: o teatro vive da ação e nos zoos não há ação. Tive de a provocar. Acabou por ficar este dispositivo de visita contínua em que os animais vão passando a pessoas e as pessoas vão passando a animais – um dispositivo que nos obriga a gerir essa passagem também em nós."

Da experiência de Victor Hugo Pontes no jardim zoológico também ficou a desolação de estar perante um espetáculo não de vida mas de morte. "Há uma solidão imensa naqueles animais – normalmente são exemplares únicos, e vêem-se subitamente atirados para aquele espaço de protagonismo. E depois há uma apatia induzida pela rotina. Os passos que eles dão na jaula estão marcados no chão. É o mesmo caminho dia após dia. Não há como não ficar impressionado. São animais a quem tiraram a verdade. Já não são o que são, são o que é esperado que sejam", resume o próprio.

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