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I Love Kuduro estreia no Brasil

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O documentário I Love Kuduro, do realizador Mário Patrocínio, acabou de estrear no Festival de Cinema do Rio de Janeiro e já conquistou público e crítica. Neste domingo apresenta-se no Doclisboa'13 - XI Festival Internacional de Cinema. Em entrevista, o realizador explica a sua descoberta por Angola.

Depois de filmarem no Brasil o documentário Complexo: Universo Paralelo, aterram agora em Angola. Sentem que têm uma vocação lusófona?

O fato de ser uma história num país de língua portuguesa tem a ver com vivências pessoais do passado. De qualquer forma, do ponto de vista empresarial, os países de língua portuguesa são sem dúvida a nossa base de ação, pois acreditamos que existe um longo caminho a ser percorrido e laços a serem estreitados que vão possibilitar sinergias a todos os níveis e prosperidade mútua. Mas acredito que a paixão por contar histórias vai muito mais além de qualquer divisão ‘territorial’ do nosso planeta.

Como é que esta dança entra na vossa vida ao ponto de a tornarem num documentário?

Quando morava no Brasil com o objetivo de concretizar o projeto Complexo: Universo Paralelo já pensava em qual seria o meu próximo filme. No topo da lista vinha o tema do kuduro, no entanto, a única coisa que sabia sobre o assunto centrava-se na minha vivência noutra época e num sítio em particular. As primeiras lembranças que tenho do kuduro são dos meus tempos de faculdade, em meados dos anos 90, quando frequentava a discoteca Mussulo, em Lisboa. Nas noites de música africana dançávamos aos pares, o que era muito mais interessante do que dançar sozinho. Aprendi a dançar sobretudo kizombas e a ‘dança da família’, que era uma coreografia que todos dançavam em sintonia. Por essa altura, o kuduro apareceu em força em Lisboa com as animações ao vivo e com as danças e toques. Levava a discoteca ao rubro, faziam-se rodas de dança no meio da pista e assistíamos às performances dos bailarinos e MC’s. Interrogava-me sempre de onde viriam aqueles beats frenéticos, com animações que pareciam sem nexo mas que nos faziam viajar. Queria saber como era feito, quem eram os verdadeiros protagonistas e artesãos daquele som. Anos depois estávamos no início do século XXI e a guerra em Angola tinha finalmente acabado. Tive a oportunidade de visitar o país, foi o meu primeiro contacto direto com a realidade angolana. Ainda se sentia alguma tensão. A paz era demasiado recente e aqueles que ainda há pouco se guerreavam, voltavam agora a encontrar-se como cidadãos debaixo da mesma asa, uma Angola só. As estradas estavam destruídas, Luanda parecia uma cidade abandonada, mas já milhares de pessoas vagueavam pelas ruas em busca de solução para as suas vidas. Há dois anos, quando resolvi desenvolver o meu projeto, conheci um empreendedor cultural que também tinha o objetivo de contar a história do kuduro. Com um objetivo comum, juntámos esforços, fizemos desse objetivo o ‘nosso’ projeto e concretizámos o filme I Love Kuduro. Foi um privilégio ter estado em Angola logo nos primeiros meses de paz, pois mais tarde, isso ajudou-me a compreender melhor as histórias das muitas pessoas que ouvi quando rodámos este filme. Foi também um privilégio, dez anos depois do meu primeiro contacto com Angola, encontrar um país que se reconstrói à velocidade da luz.

Como é que os angolanos viram um realizador português chegar a Luanda para filmar o kuduro?

Fui muito bem recebido. Faz parte da nossa forma de estar na vida respeitar o lugar onde estamos, a cultura local e tratar todos da mesma forma, ou seja, sempre bem. Portanto, mesmo que para alguns no início possa haver dúvidas, quando percebem que somos bem intencionados, e vêem que estamos a fazer as coisas com o coração, os medos e desconfianças dissipam-se, e tornamo-nos todos irmãos em prol de algo que queremos que seja positivo para toda a gente.

Então foi fácil encontrarem as verdadeiras estrelas e ‘convencê-las’ a participar?

O kuduro em Angola é um movimento de massas e todos com os quais trabalhámos são super estrelas, logo, é fácil encontrá-las. Também foi essencial a colaboração da Da Banda, o nosso co-produtor angolano, que nos abriu caminho para o contacto direto com algumas dessas grandes estrelas. Mas além dos que são famosos existem também aqueles que lutam muito em busca de um lugar ao sol e, no fundo, todos contribuíram para uma melhor compreensão do fenómeno e do dia-a-dia do sonho angolano. O mundo do kuduro e o caminho de vivências e pesquisa in loco, permitiram perceber melhor Angola de uma forma geral, mas também Portugal, e cada vez mais acredito num fenómeno que é de influência recíproca entre todos os países de língua portuguesa.

O documentário acabou de estrear no Brasil. Como foi a receção do público?

A recetividade foi realmente incrível, não só pelo festival de cinema do Rio de Janeiro, mas pelo público que compareceu em massa e aplaudiu múltiplas vezes ao longo do filme, algo que não estou habituado a ver. Para mim foi surpreendente e deixou-me muito feliz por saber que este ‘filho’ que nasce agora, pode ter uma longa e saudável caminhada.

Quando estavam a filmar Complexo, surgiu-lhe a ideia do I Love Kuduro. E agora, já sabem qual vai ser o próximo projeto?

Existem muitos filmes que gostaria de fazer, não só documentais mas também ficção. Acho que se hoje parassem as ideias, teria filmes para o resto da minha vida. Nestes últimos anos felizmente crescemos muito, a nossa empresa, a BRO, tem uma equipa forte na área de desenvolvimento de projectos e, graças a isso, neste momento não só temos várias ideias na área documental e na ficção, como temos projectos já a decorrer nas diferentes fases de produção.

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