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À Conversa com...Susana Amira "Da economia para a dança"

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Susana sempre se sentiu fascinada pela dança oriental, em pequena dizia que queria viajar pelos países árabes e aprender a dançar. Com este objetivo, investiu o seu primeiro ordenado numa viagem a Marrocos onde viu muita dança de folclore, mas não dança do ventre.

Desiludida, voltou a Portugal e foi apenas em 2002, na sequência da "febre" pela dança do ventre, gerada pela telenovela brasileira "O Clone", que encontrou aulas desta modalidade. Desde a primeira aula que teve certeza de que a dança do ventre era a sua dança, aquela que mais se adequava a si, pelo que se dedicou à sua aprendizagem, primeiro em Portugal e depois no Egipto, Turquia, Espanha e Inglaterra.

Depois de 10 anos dedicados à economia, Susana trocou a estabilidade de um emprego 9-18 por um sonho. Hoje, é professora de dança e bailarina, tendo escolhido "Amira" (princesa) para seu sobrenome.

Fala-nos um bocadinho sobre a dança oriental e a sua cultura...
A dança oriental é uma dança milenar, que vai muito além de questões político-religiosas.
Alguns movimentos da dança oriental surgem em registos com mais de 6000 anos.
Está relacionada com rituais para propiciar a fertilidade dos campos e das pessoas. Incorpora movimentos que recriam o movimento dos astros e os movimentos naturais de procriação e do parto.
A dança oriental (Raqs Sharqi – designação em árabe) é um legado da evolução de várias danças do mundo e resulta da fusão de diferentes elementos. Um dos mais determinantes foi a migração do povo cigano proveniente da Índia.
A dança sempre esteve associada à vida. No entanto, com a chegada do cristianismo e do islão, a dança foi considerada, muitas vezes, um perigo social. O que há mais libertador do que nos movermos ao som de uma música?
Este breve e, claro, incompleto, parêntesis histórico serve para referir que a dança é uma expressão de sentimentos, uma forma de expressão sem palavras. Isso é válido para qualquer tipo de dança.
Compreender a dança oriental é também estudar e compreender a cultura árabe, o seu dia-a-dia, os seus movimentos, a sua forma de sentir, a sua maravilhosa forma de partilha e de amizade, questões que estão para além do contexto político, económico e religioso da actual ordem internacional. Infelizmente há questões actuais, muito delicadas, que se associam à cultura árabe em que o meu voto é que o respeito pelo próximo prevaleça, seja quais forem as nacionalidades/raças/géneros.
Uma evidência é que as alunas mudam a partir do momento que começam a fazer dança oriental. Ganham auto-estima, confiança, sentem-se melhor no seu dia a dia e isto nada tem a ver com os aspetos político-religiosos, mas sim com o universo feminino, com a nossa essência.

A dança oriental, sendo oriunda de uma cultura pouco conhecida em Portugal, é alvo de muitos preconceitos?
A dança oriental é muito recente em Portugal, pelo que, cabe a cada profissional também um papel pedagógico na sociedade. Diariamente as profissionais da dança oriental são confrontadas com o preconceito, sobretudo, por falta de conhecimento sobre esta arte milenar. Desta forma, é imprescindível transmitir o que é a dança oriental de forma a dignificar esta expressão artística.
É necessário haver bons profissionais a realizar um bom trabalho no sentido de divulgar e dignificar a dança oriental. É importante divulgar o nosso trabalho de forma séria e credível.

Como é ser profissional de dança oriental em Portugal?
A situação das artes em geral é complicada no nosso país.
Viver o nosso sonho e a nossa paixão pode ser, por vezes, muito difícil. Sou economista e trabalhei durante 10 anos na área financeira. Tinha uma vida confortável e estável, no entanto, era infeliz. A partir do momento em que comecei a ter aulas de dança oriental descobri a minha paixão e com o decorrer dos anos tive a certeza do rumo que queria dar à minha vida. Durante algum tempo trabalhei como economista e como professora e bailarina de dança oriental. A partir de certa altura a situação tornou-se insuportável, até que há um ano e 9 meses me despedi. Deixei tudo para abraçar a minha paixão de corpo e alma. Claro que há momentos difíceis, sobretudo no que diz respeito à parte da instabilidade financeira, mas vale a pena. Amo o que faço, sou grata por isso!

E relativamente a crianças e adolescentes praticarem dança do ventre, o que pensas sobre essa questão? Deveria existir uma idade "mínima" para a sua prática?
Qualquer criança ou adolescente pode praticar dança do ventre. Cabe à professora adaptar a aula ao público-alvo. No que respeita a crianças é necessário ter jogos, associar a dança ao imaginário do universo das princesas e das fadas, à alegria e à diversão.
A idade mínima para a dança oriental será igual à idade mínima para qualquer outra dança. Também aqui é necessário haver a libertação de preconceitos por parte dos adultos. As crianças são puras, livres de barreiras e preconceitos. Na dança oriental, os movimentos são adaptados às crianças tal como acontece no ballet ou hip hop, por exemplo.

Quais os teus próximos projetos?
Podem acompanhar os meus projectos através da minha página do facebook e do meu website.
Um projecto destaque é a minha participação como professora e bailarina no Festival Internacional de Dança Oriental East Fest Lisbon.
Vou também dedicar-me à produção de espectáculos com o meu grupo profissional de dança oriental SABAAH FUSION e com o meu grupo de alunas RAQS AMIRA.


Texto de Rita Bastos | eDANCE
Fotografia cedida por Susana Amira



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