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O Balleteatro faz 30 anos e tem “casa nova” no coração da cidade

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O Balleteatro, primeira escola de teatro e dança no Porto, mudou-se “por inteiro” para o quinto andar do edifício AXA, nos Aliados, onde espera “mais desafios” e “mais união” no ano em que completa 3 décadas.
No âmbito do projecto da Porto Lazer 1.ª Avenida, o Balleteatro foi convidado a fazer parte de um autêntico “condomínio cultural”. A oportunidade de mudança “coincidiu com uma fase financeiramente difícil” para a escola e a transição aconteceu no início de Julho, tornando possível “viabilizar o projecto”, explicou ao P24 Isabel Barros, co-fundadora da estrutura.
Depois de ter estado na Rua da Alegria, na Boavista e no Convento S. Bento da Vitória, a escola profissional morava há 12 anos na Ribeira, a escassos metros do rio Douro.
A mudança para o ”tão desejado” coração da cidade do ”nómada” Balleteatro aconteceu “por inteiro”, com o serviço educativo, o centro de documentação e o departamento financeiro a funcionarem agora no AXA.
Espaço do Balleteatro no edifício AXA“Lufada de ar fresco”
Sónia Cunha, professora de dança há 16 anos no Balleteatro, admite que a instituição estava a “precisar de uma lufada de ar fresco” e acredita que juntar os alunos “mais novos” do serviço educativo e os “mais velhos” da escola profissional num só espaço será ”benéfico” e gerará ”mais união”.
Para a professora de 38 anos, apesar de a “nova casa” ter menos espaço e ter menos salas, a nova morada tem mais luz a entrar pelas inúmeras janelas existentes no lugar.
“As perspestivas e espectativas são muitas e boas. Vamos todos trabalhar para crescermos em conjunto”, concluiu, optimista, em conversa com o P24.
Flávio Rodrigues estudou no Balleteatro e há 2 anos que também é professor de dança na casa onde se formou. Assume-se como “nada saudosista”, gosta “muito” de mudanças e, talvez por isso, recebeu a notícia com “bons olhos”.
“O Balleteatro já mudou algumas vezes, tem a ver com um processo de crescimento e evolução. Esta é uma escola que tem uma visão de crescimento e de actualização. A proposta de estar no AXA é fascinante e o facto de estarmos na baixa é uma boa oportunidade”, explicou ao P24 confiante.
Na opinião do professor, trabalhar na Avenida dos Aliados é sinónimo de estar “no centro, onde as coisas acontecem”, e de ter a Fundação de Serralves ou a Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo como vizinhos vai permitir colaborações e parcerias.
“Os alunos vão poder cruzar-se e conhecer outras entidades artísticas. Esta ideia de colaboração é muito actual e vai desafiar cada pessoa. A ideia de colectivo e de grupo vai ser intensificada”, desenvolveu.
Também Isabel Barros, directora do Balleteatro, concorda que esta alteração traz a possibilidade de “fazer mais espectáculos de rua” e de comunicar com “os diferentes públicos que habitam neste prédio”, cujo objectivo é “criar uma nova sensação de futuro”.
Surpresa e nostalgia
Belisa Branças tem 18 anos e terminou o curso de Teatro este ano, fazendo parte da última turma a estudar na Ribeira, motivo que a faz sentir “uma privilegiada”. Recebeu a notícia sem surpresa, uma vez que já vinha ouvindo falar da mudança pelos corredores da escola há algum tempo.
Ensaio de dança do Balleteatro“Na altura fiquei desiludida porque também queria ter podido estudar no novo espaço. Mas agora não sinto inveja de quem vai lá estar”, confessou ao P24.
Nos 3 anos em que estudou na Ribeira, onde cresceu artisticamente e como pessoa, Belisa sentiu que o edifício e as pessoas estavam tão envolvidos “como uma família”.
“O espaço com todos os seus defeitos foi para mim uma casa, foi o ideal. Poderia ter sido melhor mas eu não o consigo imaginar melhor, para mim foi suficiente”, rematou. Quanto à nova escola – 3 salas teóricas e 3 estúdios práticos no quinto andar do AXA –, a ex-aluna diz que “parece saída de um filme”.
Carlos Oliveira tem 19 anos e concluiu, também este ano, o curso de Dança nas instalações do número 30 da Rua Infante D. Henrique. Da experiência, destaca “os colegas e os bons profissionais”. Recebeu o anúncio da nova morada com espanto e alguma nostalgia.
“Foi inesperado. Já tínhamos ouvido falar mas nunca pensei, porque para mim a escola era na Ribeira, onde me formei. Agora quando entro no AXA sinto que o Balleteatro vai ser sempre na Ribeira”, revelou. A antiga escola podia não ter “as condições perfeitas”, mas deixa “boas recordações” no jovem que em Outubro irá estudar dança para Inglaterra.
“Havia algumas coisas que não eram saudáveis, como as colunas no meio do estúdio. Mas nós aprendemos a lidar com esses entraves, porque quando dançávamos já sabíamos que as colunas estavam lá e já nos adaptávamos”, exemplificou Carlos.
O ex-aluno sabe que o novo edifício inclui “várias vertentes da arte” e que os que lá estudarem “vão tirar proveito de outras coisas”, que ele não teve, pois quer estudem dança quer estudem teatro “terão uma visão mais alargada da arte em geral, num contexto privilegiado”.
Trinta anos que “valeram a pena”
Para Isabel Barros, directora do Balleteatro, a instituição é agora “um adulto” que conseguiu finalmente “uma parceria forte”, que lhe dá a “sensação de ter um par” e de “não trabalhar individualmente”.
“Hoje, mais do que há 30 anos atrás, há mais coisas e faz mais sentido o diálogo, trabalhar em conjunto, perceber o que os outros estão a fazer”, referiu, em declarações ao P24.
O trabalho de dirigir uma escola é “um esforço que tem valido a pena”, pois a maior recompensa para a responsável é “a enorme quantidade de artistas que estão a trabalhar, a produzir ou à frente de outros projectos e que saíram do Balleteatro”, sendo uma consequência “real e concreta” do sucesso, da formação e da exigência.
“Era uma pena que alguém chegasse ao 9.º ano e não tivesse a possibilidade de fazer uma formação artística com muita qualidade numa segunda cidade do país”, analisou.
O edifício AXA acolhe agora cerca de 250 alunos, a partir dos 4 anos, nas áreas de teatro, ballet, dança criativa, dança contemporânea e tai-chi.
O auditório e a residência para artistas mantêm-se, ”por enquanto”, na Praça 9 de Abril, na Arca d’Água.

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