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Nunca é tarde para aprender ballet

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Diz o ditado que mais vale tarde do que nunca e aos 33 anos, P. concretizou o sonho de menino. Já dança no palco do Centro Cultural Padre Carlos Alberto Guimarães em Lisboa, onde é o único homem nas aulas de Ballet para Adultos da professora Rita Marques Pinto. P. começou tarde, aos 30 anos, e recusa ser identificado por entender que ainda existe “preconceito”. “Os meus amigos gozavam logo comigo, se soubessem deste meu hobby”, confessa a rir. Tal não o impede de ser um aluno dedicado. Duas vezes por semana, escapa-se discretamente para as aulas em Lisboa, onde solta o corpo e ganha o que classifica de “qualidade de vida”.

Atleta dedicado, praticou esgrima, desportos de combate e equitação, sempre com distinção, mas só em adulto teve coragem para calçar as tão desejadas sapatilhas. O porte atlético e a postura confirmam a dedicação: “É dos casos em que existe talento”, diz a professora.

Importada do Brasil, onde há espaços dedicados a mulheres com mais de 40 anos, a modalidade de Ballet para Adultos ganha cada vez mais adeptos em Portugal. Rita Marques Pinto é uma das professoras e divide-se entre dois espaços para responder aos pedidos que aumentam de ano para ano. A aluna mais nova tem 22, a mais velha 47. A oferta estende-se a várias outras escolas no Porto, Oeiras, Odivelas, Coimbra e outras cidades que apostam nesta nova modalidade. Quem ensina dança clássica a maiores de 18 admite ter a vantagem de “estar a falar com pessoas que entendem de imediato o que se pede”. Quem pratica garante que “é uma boa alternativa ao ginásio”, “ajuda a descontrair” e, muitas vezes, “a concretizar o sonho de infância”.

Algo de mágico

Sandra Viegas começou aos 23 anos o que muitas iniciam aos cinco. Veste a preceito, com sapatilhas rosa, e após dois anos de aprendizagem nota “mais flexibilidade e coordenação” nos movimentos. Ainda assim, admite que as aulas iniciais não são fáceis. “Tinha noção de que era difícil, mas está a ser bem pior. Falta-me concentração, elasticidade e mais força também. Acredito que o ideal seria praticar três vezes por semana. Uma vez é pouco”, diz a jovem analista de computação, que antes apenas praticara voleibol.

Sobre as tábuas centenárias do Ateneu de Lisboa, a grega Sevi Manoli, 28 anos, estica o corpo apertado num maillot preto. Engenheira Química de formação, com licenciatura e mestrado, deu a volta à crise que assola o seu país com um emprego precário em Lisboa. Trabalha num call center, partilha casa com vista para o rio com colegas de profissão e todas as sextas feiras, ao fim da tarde, treina 60 minutos de barra no chão e ‘demi-pliés’ frente a um enorme espelho. Sevi gosta tanto do ballet como de Lisboa. “Há aqui algo mágico”, diz referindo-se à dança, que começou a praticar este ano, e ao espaço situado numa das ruas mais multiculturais da cidade.

Atletas de Deus

“As vantagens do ballet são imensas, em qualquer idade. Ganha-se autoestima e, em termos físicos, há uma maior consciência do corpo. ‘Os bailarinos são os atletas de Deus’, dizia Einstein. E, de facto, esta modalidade exige tudo, força, flexibilidade, graciosidade”, frisa Rita Marques Pinto.

Apesar da técnica do ballet ser difícil, a professora encontra muita satisfação nas aulas para maiores de 18. “Ao passo que uma criança, que fica muitos anos a aprender o mesmo movimento, ganha, por vezes, saturação, um adulto tem mais sabedoria e está preparado em termos emocionais”. Fala por experiência própria a professora que começou a dançar aos cinco anos na Escola de Dança de Ana Manjericão, Carcavelos, se formou na Escola Superior de Dança. Pelo meio, “houve uma zanga”, estudou biologia e fotografia. Retomou a dança com mais amor, porque era “uma relação muito forte”.

Daniela, 36 anos, professora universitária, encontra no ballet a ferramenta para melhorar a postura. Iniciou-se aos seis anos, em São Paulo, Brasil, onde nasceu. Dançou até aos 12, mas a necessidade de obter boas notas e estudar inglês trocou-lhe as opções. Voltar em adulta é “ótimo”, garante. “Tenho o corpo mais flexível e estou a relembrar passos. Dá-me um imenso prazer.”

Foi para “libertar a tensão” que Ana, 23 anos, arquiteta, se iniciou no ballet. “Nunca quis ser bailarina, mas gostava de ter começado mais cedo. Aconteceu que nunca tive oportunidade e ao saber desta oferta quis aproveitar.” Ao bem-estar físico soma o bem-estar mental.

As aulas começam com exercícios de respiração e relaxamento. Joana Batista, estagiária numa empresa de telecomunicações, vem aperfeiçoar o que aprendeu dos oito aos 14 anos, e só abandonou por na sua cidade natal, Castelo Branco, não existir mais oferta. Joana cresceu a lamentar não ter sido bailarina e só aos 28 voltou a dançar. Não é um caso raro. Beatriz Ferreira, 22 anos aluna do 4º ano de medicina, estudou ballet dos cinco aos 12 anos, e parou também porque a escola onde estudava em Évora encerrou. Concentrou-se nos estudos, sem esquecer a primeira paixão. “Vinha a Lisboa de propósito para ver bailados, adoro o ‘Quebra-Nozes’, e só voltei a dançar aos 18. Parei numa altura crítica, pois sempre quis ser bailarina”, diz. Prestes a terminar a licenciatura, insiste no ballet: “Vou continuar até ter disponibilidade”.

Fonte

7 comentários:

  1. ACROBATS OF GOD, dizia Martha Graham !

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  2. "P já dança em pontas" - tal parece-me altamente improvável, não só porque P é um homem (não obstante existirem bailarinos masculinos que o façam, até com bastante técnica), mas sobretudo porque P iniciou os seus estudos de ballet clássico há pouquíssimo tempo.

    Feito este reparo ao texto supra, a iniciativa que o mesmo relata é de louvar!

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    Respostas
    1. Acredito na capacidade de trabalho e aptidão do P. para, em apenas 3 anos, conseguir dar os seus primeiros passos em pontas :)

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  3. Não deveria ser essa a prioridade de um bailarino que, aos 30 anos, começa a dançar (ainda para mais um homem, cujo trabalho primordial não é, de longe, o de pontas). Sobretudo por questões de segurança para o próprio bailarino... Mas se é esse o caminho pretendido...força P!

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  4. Mariana, sou a professora :)é P nem em sonhos dança em pontas. meu deus...foi um erro, grande, da jornalista...pura ignorância..chama pontas às meia pontas ???! mas de qualquer forma a iniciativa de v~er publidad uma noticia sobre dança clássica, claro que é de louvar!beijinhos

    Rita Marques Pinto

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  5. Rita, o artigo foi retirado do Correio da Manhã, conforme fonte referida :)

    Ficamos com a tua nota :)

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  6. Rita, eu não quis ser brusca e directa no meu comentário, mas foi precisamente isso que eu pensei e pretendia dizer. Vi logo que se tratava de um erro da jornalista!
    Mas quer a iniciativa quer a notícia são de louvar!
    Beijinho

    Mariana Martins

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