Index Labels

"Animalidade" do homem explorada em "Zoo" no Teatro Nacional de São João no Porto

. . Sem comentários:

O Teatro Nacional de São João, Porto, estreia na quinta-feira "Zoo", uma peça que explora a fisicalidade animalesca, o homem e o poder da observação, recusando "conceitos e preconceitos que a sociedade nos obriga a vestir".

Em declarações à agência Lusa, Victor Hugo Pontes, diretor da peça, explicou que "`Zoo` não é um espetáculo sobre o jardim zoológico", mas parte da sua existência, e do facto de este ser "um espaço artificial de observação".
Ao explorar esse espaço, o diretor pretende refletir sobre "a condição humana", ou seja, "o que é o homem, de onde vem e para onde vai?".
"Procurei o lado primitivo e instintivo do homem, que é quando se assemelha mais ao animal", sublinhou.
Através de um tipo de fisicalidade que se assemelha "a um lado animalesco", o diretor explora "o conceito entre o homem e um animal", partindo da ideia de Darwin, e substituindo o aspeto racional pelo emocional.
O espetáculo tenta fazer perceber "onde é que essa animalidade está, onde é que nós, elementos de uma sociedade, a tentamos reprimir ou camuflar, porque somos racionais".
"Aqui deixamos de parte tudo o que são os conceitos e os preconceitos que a sociedade nos obriga a vestir", disse o diretor.
O cenário é transformado numa savana, e com ele interagem os sete bailarinos, que são também "sete animais em cena".
Diletta, Bindi, Francesca Bertozzi, Marco da Silva Ferreira, Paulo Mota, Pedro Rosa, Valter Fernandes e Vitor Kpez são os protagonistas de sequências individuais e em grupo, movimentos rápidos e lentos, simples ou elaborados, por vezes em silêncio ou acompanhados com a música original de Rui Lima e Sérgio Martins.
O trabalho dos intérpretes é baseado "num conceito de abstração", e o jogo de observar e ser observado alimenta todo o espetáculo, deixando aberta a questão se são os espetadores que observam os bailarinos ou o contrário.
Durante os dois meses de ensaios, os sete bailarinos começaram por visitar um jardim zoológico, para "observar os animais, recolher informações, pesquisar sobre as suas relações", e concluíram que os animais "fazem exatamente a mesma coisa todos os dias, têm comportamentos sistemáticos e rotineiros", à semelhança do que acontece no teatro.
"Quando vamos ver uma peça temos sempre a sensação de que é a primeira vez que ela está a ser feita, e não. Há uma repetição", enfatizou o diretor.
A mostra "não é uma história nem uma narrativa, e por isso possibilita ao espetador ligar "as várias histórias que são contadas, de forma diferente".
"Para mim é importante que as pessoas quando saírem do teatro saiam com algo com que possam refletir, mesmo que por vezes não percebam o que estiveram a ver", explicou o diretor.
O texto "Why Look at Animals", de John Berger, foi "muito importante" durante processo de construção do espetáculo, pois "sintetiza muito bem aquilo que se passa dentro de um jardim zoológico".
Este "elemento complementar", que sustenta a própria peça mostra, permitiu encontrar "a ideia cenográfica", "a luz artificial", e concluir que Victor Hugo Pontes e John Berger partilham o mesmo pensamento, "um pensamento que é valido nos dias de hoje".
"Zoo" vai permanecer no Teatro Nacional de São João, no Porto, até sábado, seguindo depois para o Teatro Maria Matos, em Lisboa.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Queres publicar as tuas notícias no IDS? Tens alguma sugestão para nós? Envia para indancingshoes@edance.pt

Publicidade

Contribui para o IDS

Andam a dançar por aqui

SEGUE O IDS

PUBLICIDADE