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Bailarinos encaixam-se em espaços urbanos para "irritar" público do Imaginarius

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A companhia austríaca Willi Dorner vai apresentar no Imaginarius um espetáculo em que os seus bailarinos assumem posições inesperadas na estrutura física de edifícios e espaços urbanos para "irritar" o público do festival e questionar os seus hábitos.

Com duas exibições de 45 minutos no âmbito do evento, que decorre na Feira de sexta a domingo, a companhia fundada em Viena em 1999 vai atuar entre o hospital e as piscinas municipais, propondo "um trilho em movimento, coreografado, em que os performers conduzem a audiência através de partes selecionadas de espaços públicos e semipúblicos".

Essa descrição é do próprio Willi Dorner, que, em declarações à Lusa, explicou que o espetáculo "Bodies in Urban Spaces/ Corpos em Espaços Urbanos" vai assim colocar os bailarinos em "pontos selecionados da paisagem urbana local, o que provoca o cérebro e produz irritação".

"Pessoas que passam, moradores e audiência, todos são motivados e instigados a refletir sobre a envolvente urbana e sobre os seus próprios comportamentos e hábitos de movimento", defende o diretor artístico da companhia.

As intervenções da companhia procuram com isso "realçar a estrutura urbana funcional" de uma determinada localidade e "revelar as possibilidades e comportamentos do movimento restrito, assim como as suas regras e limitações".

Os espetáculos consistem, portanto, numa "cadeia de intervenções físicas que são montadas com grande rapidez e só existem temporariamente, permitindo ao espetador apreender o mesmo espaço de uma forma nova e diferente".

"As intervenções são rápidas e não deixam nenhum vestígio, a não ser uma impressão na memória das testemunhas oculares", garante Willi Dorner.

Aos bailarinos da companhia exige-se, para esse efeito, não apenas o talento necessário para a dança, mas também a particular resistência física que lhes permita suportar posições difíceis no contexto real de pisos irregulares, vãos de escadas, ranhuras entre alicerces, etc.

Com base na experiência acumulada ao longo de vários anos de "Bodies in Urban Spaces", o diretor artístico da companhia garante que "o yoga se revelou a melhor preparação e o melhor suporte físico e mental para esse esforço", mas acrescenta que, como todas as exibições diferem entre si, acabam por também exigir aptidões distintas, como "presença, força, coragem e boa técnica de dança".

Combinados todos esses elementos num espetáculo que se revela único de acordo com cada cenário urbano que o acolhe, o que se mantém constante é a reação do público. "Tirar fotografias vem em primeiro lugar", conta Willi Dorner, "e depois há as observações verbais, desde o riso até comentários muito agressivos".

No geral, o que o coreógrafo observa é que o espaço público voltou a ser considerado um local privilegiado de intervenção política e social, mesmo que, ao nível artístico, a sua utilização possa estar a registar alguma regressão.

"A rua voltou a ser uma zona de luta e protesto", explica, "sempre foi assim na História, só que se tinha esquecido isso e as revoluções no Norte de África, juntamente com o `movimento da ocupação`, voltaram a mostrar que as ruas são o espaço público para a controvérsia, a discussão, o encontro, o protesto".

Para Willi Dorner, falta agora saber "se as artes da rua irão querer refletir isso ou não". E mesmo ao nível da mera construção física dos espaços públicos, também há decisões a tomar.

"Em tempos de crise económica, o facto é que há menos dinheiro disponível para um ambiente urbano de conceção saudável e generosa", conclui o coreógrafo.

"Temos que lutar mais pelo nosso direito de participar nos processos de decisão política relativos à arquitetura e ao planeamento urbano, porque há cada vez mais pessoas a viver nas cidades e, só por isso, devíamos poder influenciar e ter uma voz mais forte nos processos de conceção e construção do nosso ambiente urbano", acrescentou.

A Companhia Willi Dorner atua no Imaginarius às 18:30 de sábado e às 15:00 de domingo, com ambas as performances a terem início no hospital da Feira. Mais detalhes sobre a programação do festival - que ao longo de três dias apresenta 117 propostas por companhias e artistas de 16 países - podem consultar-se em www.imaginarius.pt.

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