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Ao ritmo da dança com os bailarinos da Escola Superior de Dança

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Dançar. Um verbo que toca a todos, seja numa saída à noite ou até mesmo na intimidade do nosso lar. Mas toca mais a uns que a outros e, por isso, neste dia Mundial da Dança, fomos compreender melhor o que é ter uma verdadeira paixão por esta arte. Falámos com os estudantes da Escola Superior de Dança do IPL que partilham essa mesma paixão, que têm um dom e que querem fazer da dança as suas vidas. Uma arte pura, uma paixão que não possui barreiras políticas, culturais ou étnicas e, por isso mesmo, hoje celebramos esta prática pelo mundo inteiro, devido ao aniversário de Jean-Georges Noverre, um célebre teórico e bailarino do século XVIII.

O que distingue os alunos da Escola Superior de Dança dos outros estudantes universitários? Bem, à primeira vista, tudo. Vestem-se de forma diferente, têm horários diferentes, trabalham arduamente com o corpo e a alma e ainda devem arranjar tempo para estudar a teoria, atuar em espectáculos e, acima de tudo, divertir-se exprimindo a sua arte.

De manhã? Dança-se. À tarde? Dança-se. E, muitas vezes à noite, também se dança. Os alunos da ESD vão para a escola às nove horas da manhã para de lá saírem por volta das oito horas da noite e sempre com a dança ora na cabeça, ora nos pés. História da dança e análise da música para uma manhã mais teórica ou interpretação contemporânea e ballet clássico para uma tarde prática. As aulas terminam, mas os ensaios prolongam-se noite fora.

O dia-a-dia dos bailarinos é passado sempre em equipa, os alunos das mesmas turmas são muito unidos o que os torna uma grande família, onde os problemas de um interessam a todos. E um dos problemas comum a todos é controlar a fome. O refeitório da escola é constituído por duas grandes salas onde há microondas e frigoríficos e se pode guardar comida para ir petiscando ao longo do dia, pois o exercício é tanto que “dá uma fome horrorosa”.

Um dos maiores pilares na escolha de um curso são os pais. Fomos saber se os alunos da ESD tinham ou não o seu apoio. As respostas foram muito positivas, a maioria dos pais apoia os alunos a seguir esta área, apesar de se mostrarem preocupados com aquilo que os seus filhos irão fazer “a seguir, quando sair daqui”, como partilhou o aluno André Nunes.

Existem 8 salas de ensaio que podem ser requisitadas durante a semana para ensaios e outros trabalhos. Dois edifícios fazem parte desta escola, um dos quais já muito antigo, o que adiciona uma mistificação do espaço e das actividades artísticas. No Inverno os alunos sofrem um pouco com o frio, mas nem assim se deixam ir abaixo.

As turmas são constituídas entre 20 e 30 alunos, pouco para um curso superior teórico mas imenso para um espaço onde cada centímetro quadrado é usado para criar movimento e dinâmica. Por vezes um pé tropeça noutro, mas isso não derruba o espírito positivo destes futuros bailarinos que passam por cima de todas as dificuldades.


A aluna da ESD Sofia Paz afirma, “as zangas acontecem mais no fim do dia depois de muitas horas passadas com as mesmas pessoas dentro do estúdio. Mas, no geral, pelo menos na nossa turma, damo-nos bem”. Num meio onde a concorrência é tao forte, é de congratular os alunos manterem um bom ambiente.

Como se costuma dizer “o que tem que ser tem muita força” e, pelos vistos, tinha mesmo que ser assim para Ana Delgado. No ensino secundário, esta jovem de 20 anos estava na área de Ciências e Tecnologias decidida a seguir enfermagem, mas o gosto pela dança deitou por terra a decisão inicial.Mesmo não sendo um sonho de criança a veia artística falou mais alto e, na hora h, a dança foi a preferida.

Os professores e alunos têm uma relação de proximidade, à-vontade e entreajuda. O gosto pela mesma arte une estes bailarinos, dos mais aos menos profissionais. Os alunos dizem-se auxiliados de todas as formas e por todos os professores, principalmente no que toca à ambição de aprender mais. “Sempre que pedimos ajuda nos corredores porque nos esquecemos de uma determinada posição ou gesto, os professores não hesitam em ajudar-nos”, disse-nos Carolina Duarte, aluna de 2º ano.

Os fins-de-semana são livres mas, para se ser o melhor, há quem opte por ir ao ginásio e não deixar o corpo arrefecer. Estes dias são igualmente aproveitados para se “voltar a casa” visto que, muitos dos alunos da ESD não são de lisboa mas, pela força do sonho, deixaram a sua terra mãe.

Nestes tempos onde todas as profissões estão em risco, a dos dançarinos não é excepção à regra. Os alunos têm esperança de ficar a trabalhar em Portugal e serem reconhecidos na sua pátria. No entanto, muitos dizem não ter medo do futuro e que vão para onde for preciso para realizar em plenitude o seu sonho.

Os alunos da ESD possuem um ginásio de livre acesso durante a semana, pequenos espaços para alongamentos e grandes salas onde são feitos trabalhos para apresentação ao público. Mesmo existindo uma grande diversidade de materiais disponíveis na escola e acessíveis aos alunos; fatos, cenários e outros elementos importantes são, muitas vezes, feitos pelas mãos destes artistas.

Durante as cerca de 8 horas diárias a dançar é de esperar que, de quando em vez, um ou outro aluno se magoe. Até porque um mau aquecimento ou um simples pousar do pé ligeiramente alterado podem provocar lesões. Portanto, existe uma equipa de osteopatas e fisioterapeutas na ESD que trata de pôr como novos os jovens bailarinos.

“A dança tem várias formas de interpretação, há pessoas que ao interpretar conseguem sentir o que o próprio coreografo quis, aquilo que ele quis transmitir e, depois, também há a parte de interpretação pessoal onde uma coreografia pode significar uma certa coisa para o coreografo e para nós pode significar outra”. É assim que a jovem bailarina Ana Delgado entende a dança. E é por isto, é por todas as emoções que a dança desperta nestes apaixonados, pelo gosto imenso que cada um tem pela arte que, todos os dias, estes jovens dão o seu melhor e levam o corpo à exaustão sem queixas, sem medos, só para alcançar um sonho. Sonho esse que todos têm a ambição de alcançar, pois o ' Homem é do tamanho do seu sonho '.

Este artigo foi produzido por: Iryna Shevchyshyn, Alexandre Malhado, José Capucho, Ana Rita Pinto, Andreia Forra, Inês Correia, João Marinheiro, Marília Monteiro. Editora: Laura Santos

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