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A herança de Pina Bausch já tem novo diretor

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O bailarino Lutz Förster, de 60 anos, assume desde 1 de Maio a direcção da companhia fundada pela coreógrafa alemã há 40 anos. Para 2015 estão prometidas novas criações da Tantztheater Wuppertal.

A Tantztheater Wuppertal, mais conhecida por ser a companhia da coreógrafa alemã Pina Bausch, tem uma nova direção. Com efeito imediato a partir de 1 de maio, o bailarino Lutz Förster assumirá a direção da companhia, após o pedido de renúncia do filho da coreógrafa Robert Sturm e do bailarino Dominique Mercy, seu assistente em algumas peças, que haviam assumido a direção após a morte de Bausch.

Lutz Förster, que integra o elenco da companhia desde o início, é um dos mais carismáticos bailarinos do ensemble, tendo interpretado a maioria dos bailados assinados por Bausch. Conheceram-se em 1974, quando Förster estudava em Essen. Numa conferência em Sydney em 2011 o bailarino recordou que a coreógrafa o escolheu identificando-o como “aquele grande com um enorme nariz e uma segunda posição perfeita”. Descrito como alguém “que se assemelha a David Bowie e dança como Fred Astaire”, ingressou na companhia em 1978. Oito anos depois do primeiro encontro com Bausch, e após umas férias na Califórnia, quando a coreógrafa lhe pediu para fazer algo de que se orgulhasse, Förster mostrou o que havia aprendido com um namorado nesse verão. Foi assim que criou um dos mais icónicos momentos das peças de Bausch, um solo onde interpretava em linguagem gestual a canção The Man I Love, parte integrante de Nelken (1982).

O agora novo diretor da companhia, conhecido pelo seu temperamento difícil, dançou ainda em peças de José Limon, Meredith Monk, Susanne Linke e Robert Wilson, tendo em 2009 interpretado um solo biográfico, imaginado por Jérôme Bel, como parte integrante dos solos homónimos que o belga tem vindo a criar desde 2004.

Esta mudança na direção, anunciada em comunicado, é entendida como a “manutenção do nível de excelência da companhia”, algo considerado “como um objectivo e um desafio”. Quando em Junho de 2009 a coreógrafa Pina Bausch morreu, o futuro da companhia foi colocado em suspenso. A coreógrafa morreu duas semanas após a estreia de ...como el musguito en la piedra, ay si, si, si ..., uma encomenda da cidade de Santiago do Chile. Tinha estado pela última vez em Portugal em 2008, onde apresentou Nefés (2002), inspirada na cidade de Istambul, Masurca Fogo (1998), feita a convite da Expo’98, e Café Muller (1978), que protagonizava e cujas últimas apresentações da peça aconteceram no Teatro São Luiz.

Na altura, o acordo que a câmara de Wuppertal tinha com a coreógrafa previa a estreia de uma nova peça por ano e a remontagem de um trabalho mais antigo, bem como, nos últimos anos, um festival internacional no início do Outono. O filho de Bausch, Robert Strum e o bailarino Dominique Mercy, que a assistia em muitas das coreografias, assumiram a direcção da companhia, garantindo assim que, pelo menos em parte, os compromissos assumidos eram cumpridos. Muito se especulou sobre o destino da companhia, sobretudo porque a câmara via com relutância a manutenção de um projecto que perdera a carismática liderança e, com ela, o poder de atractividade internacional que, tanto a nível económico como cultural, cada estreia representava. A aposta no filme-documentário de Wim Wenders, Pina, com honras de estreia em 2010 no Festival de Cinema de Berlim e candidato aos Óscares no ano seguinte, foi o combustível para uma gestão a prazo de um projecto que colocou a pequena cidade da região da Renânia-Vestefália no mapa mundial.

Quatro anos após a morte da coreógrafa o futuro da sua companhia parece, agora, ser uma realidade. “A mudança de rumo da companhia é o resultado de uma discussão intensa com perspetivas a médio e longo prazo”, disse o administrador Dirk Hesse, citado no comunicado publicado hoje pela companhia na sua página na Internet. As mudanças “serão evidentes durante a temporada 2015/2016”, anunciando-se novas produções.

O comunicado refere ainda que presidente da câmara Peter Jung garantiu o financiamento à companhia para 2015 e que “a cidade de Wuppertal fez sempre tudo o que estava ao seu alcance para apoiar a companhia e constantemente assegurou o financiamento”. E em resposta às críticas sobre a diminuição dos apoios, Jung afirmou que isso “nunca foi uma questão, apesar da cidade ter tido que fazer cortes radicais em todas as áreas, e assim continuará no futuro”. Contudo, assim termina o comunicado, e “de acordo com os desejos de Pina Bausch, Wuppertal continuará a ser um centro para a dança”. Em Agosto deste ano a companhia festeja o seu 40º aniversário e em Junho será anunciado o programa que o celebrará.

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