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Sandra Azevedo, jornalista e professora de ballet: “Tenho duas paixões que desejo conciliar”

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Muito antes do jornalismo, o ballet fez parte do dia a dia de Sandra Azevedo. Natural de Macau, aos quatro anos já frequentava uma escola local, depois o Conservatório, até ir para Portugal aos 12 anos entrando para a Escola de Dança Livre em Lisboa onde mais tarde foi também professora. Duas irresistíveis paixões têm preenchido a vida cultural e profissional desta jornalista de televisão: o ballet e a o jornalismo. Agora conjugados, pois com início a 10 deste mês, Sandra começa a dar aulas de ballet a adultos e a crianças. Limite temporal destas acções: 3 meses. Ela faz questão na utilização da palavra ballet e não bailado.

A partir de certo momento a opção pelo jornalismo foi mais forte do que o bailado?

Não posso dizer exactamente isso. Embora inicialmente tenha pensado, ainda em pequena, ser bailarina, acho que todas as crianças que praticam ballet com convicção, como era o meu caso, sonham com essa fantasia, mais tarde acabei por perceber que não era esse o meu caminho.

Nem mesmo conciliar os dois lados?

Eventualmente, como agora estou a tentar fazer, mas de modo diferente, dando aulas, como já fazia em Portugal antes do meu regresso a Macau.

Apresentações em público, alguns exemplos?

Em Portugal, na escola que frequentei, como aluna e depois professora, todos os anos participei nos espectáculos de final do ano que aconteciam no Teatro Tivoli em Lisboa. Eram boas realizações, primeiramente espectáculos mais curtos, depois apresentados durante 2 dias. O nível também foi subindo, logicamente.

Aos quatro anos de idade, já a aprender ballet. Foi influência familiar?

A minha mãe achou que nos devia dar também essa escolha, pondo-me no ballet juntamente com uma das minhas irmãs. Foi assim o começo, mas houve um ano que desisti.

Pode ser conhecida essa história?

Nada de muito especial (risos). Nos espectáculos, como ainda era pequenina, punham-me naqueles papéis em que temos de fazer de borboleta e coisas assim. Eu não achava muita piada, o que queria mesmo era dançar. Desisti durante um ano. No entanto, via a minha irmã, com cinco anos mais do que eu a fazer coisas, a apresentar-se em espectáculos… Então, recomecei talvez mais inspirada.

O que diz da necessidade do conhecimento de música para uma bailarina?

Não sendo talvez essencial, é muito útil. Usamos muito a componente musical, neste caso a música clássica, precisando de entender também quais são os tempos das músicas, a própria musicalidade de cada peça. Pratiquei a Royal Academy que é uma modalidade de dança clássica em Inglaterra. Existem exames, vêm examinadores de várias partes do mundo, havendo vários parâmetros nesses exames, um deles é exactamente a musicalidade. Por isso é importante um bailarino ter da música não apenas o lado instintivo, mas também teórico com a profundidade possível.

Que tipos de música consome no dia a dia?

Sempre que posso só oiço a música que gosto o que não significa que apenas consuma música erudita, claro que não.

É conhecida a circunstância de haver dificuldade de bailarinos masculinos em alguns lados, nomeadamente em Portugal onde a Sandra se formou. Razões principais?

Realmente ouve-se falar nisso. Penso ser um estereótipo acentuado, muito ligado ao tabu da homossexualidade erradamente atribuída a um rapaz que dança. Não é necessariamente assim, como se sabe. Naturalmente, com alguma experiência direta sobre a dificuldade em haver, em Portugal, alunos bailarinos masculinos, apenas posso mencionar a experiência na minha escola onde de facto só existia um colega masculino. Isso condicionava bastante os espectáculos, não podíamos executar o pas de deux, por exemplo, e outras apresentações.

E aqui em Macau, notar-se-á maior número de inscrições masculinas do que femininas, nas aulas de bailado para adultos e crianças que vai dar?

No ballet clássico suponho haver mais carência de alunos masculinos, em outras modalidades de dança não. Neste momento, sobre as aulas que vou dar a adultos e crianças, ainda não posso dizer nada, pois as inscrições não foram encerradas.

Algum bailado famoso, em especial, que gostaria de ter executado ou de vir a interpretar?

Como tanta gente, gosto muito do Lago dos Cisnes de Tchaikovsky! Também sei que eu própria não iria interpretar tão bem como muitas bailarinas completamente profissionalizadas interpretaram. Não ambiciono propriamente fazer nenhuma peça em particular. O que gostava mesmo é de continuar a ter as duas coisas, as duas paixões, pelo jornalismo e pelo ballet.

Até que chegou o dia que teve de decidir.

E chegou, mas passou por uma ou outra etapa. São duas espécies de sentimentos muito fortes, ambos ao nível mesmo da paixão. Houve uma altura, nos meus 20 anos, que pensei ter mesmo de escolher entre o ballet e o jornalismo. Nessa época tive oportunidade de dar aulas de ballet a crianças, descobrindo vocação por ensinar. Acontece que, simultaneamente, iniciei um estágio na TVI. Então, cheguei a admitir ser possível fazer jornalismo conciliando com as aulas de ballet e, circunstancialmente, praticá-lo.

Ensinar ballet a crianças e adultos é também transmitir a informação de que o ballet nos tempos de hoje não é aquela terrível disciplina.

Precisamente, o ballet não é aquele rigor implacável que tanto se pensa. É um acto de cultura como qualquer outro, embora a disciplina seja essencial, mas aperfeiçoada de modo agradável. Provadamente, as crianças estudantes que frequentam aulas de ballet atingem melhor aproveitamento escolar.

Quando foi a última ocasião que dançou?

Foi pouco antes de regressar a Macau. Como vim em 2011, provavelmente foi em 2010 o último espectáculo da Escola de Dança Livre em que participei.

Sentimento de nostalgia?

Tenho. Principalmente porque criei uma ligação muito forte com a escola, com os professores e com os alunos. Na Escola de Dança Livre em Lisboa eu aprendi muito, e depois fui professora. Já em Macau, trabalhando como jornalista na TDM, claro que estou realizada profissionalmente, mas vinha sentindo um vazio, um espaço por preencher. Até surgir esta oportunidade de dar aulas de ballet por iniciativa da Casa de Portugal.

Em casa já aconteceu dançar?

Sim, sim! (risos) Até já aconteceu uma ou outra vez em casa vestir o maillot, collants, sapatos e dançar. Realmente sinto uma certa nostalgia e pensei várias vezes quando poderia voltar a vestir aquelas roupas e participar num espectáculo de ballet. Uma nostalgia temperada com uma ou outra aula, já aqui em Macau, mas muito esporadicamente.

As aulas que irá iniciar para adultos, são necessariamente distintas das direcionadas para os mais novos?

São diferentes, mas têm algo em comum: por exemplo, o aquecimento começa sempre com abdominais, umas flexões, para aquecer bem os músculos do corpo; a seguir a passagem para a barra, fazer uns exercícios e só depois uma dancinha. Muitos adultos, mesmo sem qualquer experiência, procuram nestas aulas a melhoria da sua postura. No caso das crianças, é importante sensibilizá-las, dar-lhes a conhecer o que é o ballet, o que se pode fazer com o ballet, onde existe disciplina, rigor, mas também onde elas se podem divertir.

Cuidados com a postura, disciplina; e os cuidados com a alimentação: obrigatório dieta?

Não sou apologista de demasiadas dietas. Alimentação de qualidade é o essencial, mas não tem de ser apenas por estar no ballet que deva ter-se em atenção a qualidade da alimentação. Devemos olhar para o nosso corpo sempre e com atenção.

Ainda a propósito de postura, a proximidade íntima e longa com o ballet é bastante útil no dia a dia como jornalista que enfrenta as câmaras de televisão…

Acho que a minha postura normal já é direita, isso também facilita quando estou à frente de uma câmara, pois não tenho de fazer um esforço especial para me manter direita. Posso dizer que o ballet também me ajudou nesse sentido, no de estar mais apresentável quanto à postura.

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