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Japão rendido a uma bailarina portuguesa

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Tânia Luiz - bailarina portuguesa no japão
No seu corpo, a dança contemporânea encontra-se com a Ásia e o Médio Oriente. Portugal fechou-lhe as portas. Ela foi abri-las no Japão.

Quando aquilo que se persegue não é um sonho mas uma certeza, uma certeza que se tem no corpo e na alma, é difícil não correr atrás. Bater às portas que for preciso. Vê--las fecharem-se e ir lá bater de novo. Engolir a frustração, algumas humilhações, arrancar aos momentos maus energia e esperança para procurar os bons. Não desistir. Não desistir. "Quando estava na Índia a aprender dança, vi-me de repente sem dinheiro sequer para renovar o visto. Estava numa situação desesperada. Tive de regressar a Portugal. Nessa altura a dança do ventre ainda não tinha a divulgação que tem hoje e tentei começar a fazer uns espectáculos. Mas era tudo tão precário. Chegaram a dar-me um canto na cozinha de um hotel para mudar de roupa. Foi aí que vim para o Japão", conta Tânia Luiz, 36 anos, há seis a viver na cidade nipónica de Osaka, onde trabalha como bailarina, fazendo espectáculos em que a dança contemporânea se funde com a dança turca, nepalesa, indiana e cigana. "Sou uma pessoa muito orgulhosa e detesto a mediocridade. Mas não desisto. Não páro", afirma convicta em entrevista telefónica ao DN, poucas horas depois de ter feito um espectáculo de beneficência a favor das vítimas do terramoto e marmoto que atingiu o Japão a 11 de Março.

Quando chegou a este país, o trabalho que fazia era quase desconhecido. Porém, encontrou no povo nipónico uma abertura e uma disponibilidade para a receberem e para descobrirem as suas criações que não tinha encontrado em mais nenhum lugar. Em apenas seis anos, Tânia já percorreu várias vezes o Japão, já deu espectáculos na Turquia, Macau, Tailândia. É presença frequente na televisão. Mas, de todas estas andanças, a mais marcante foi, como recorda, a participação num festival budista na Tailândia organizado pelo Dalai Lama. "Fui lá, ofereci-me para dançar e eles incluíram-me num programa que já estava fechado. Dancei num templo ao ar livre para centenas de monges. Foi uma experiência absolutamente marcante. Inesquecível."

Em criança vivia numa zona de Lisboa onde era frequente acamparem grupos de ciganos. Às escondidas, espiava-lhes as idas e vindas, as festas, os rituais, as danças. Esta imagem que perdura é a recordação mais grata que tem da infância. Hoje, quem olha para os grandes olhos escuros e os longos cabelos negros de Tânia Luiz facilmente lhe atribui uma origem cigana ou árabe. Porém, Tânia é lisboeta, e se há na sua história alguma reminiscência árabe ou romani (cigana), ela manifesta-se na forma como o seu corpo cedo encontrou com os ritmos ciganos e árabes.

Começou na Companhia de Dança de Évora, quando, aos 18 anos, foi para a universidade nesta cidade alentejana. E se o objectivo era fazer um curso de Biologia, isso foi posto de lado em função da dança. "Apesar das dificuldades, sentia que era ali que devia estar."

Contudo, a verdadeira mudança na sua vida aconteceu durante uma visita à Turquia. "Quando assisti a um espectáculo de dança turca, deu-se uma revolução na minha cabeça. Não regressei a Portugal, fiquei lá. Fui à procura de uma professora. Fiquei até aprender a dançar", conta.

Como os ciganos que sempre a fascinaram, Tânia iniciou então uma vida nómada. Viveu na Turquia, na Alemanha, em Katmandu, no Nepal, na Índia, depois no Japão. Sempre a dançar e a ensinar a dançar.

O sucesso o seu trabalho confirma-se com o destaque que os media japoneses dão a cada apresentação sua e com o recente lançamento de um DVD, no qual ensina a sua arte. Tânia encontra as razões deste sucesso no facto de trabalhar uma vertente pouco conhecida da dança do ventre, a turca, e por cruzar as linguagens rítmicas e coreográficas de diferentes partes do mundo.

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